ATEÍSMO DA CLASSE MÉDIA

Sempre considerei conveniente para quem já tem “tudo” o que precisa declarar-se suficiente em si mesmo. Afinal de contas a estabilidade da vida é a meta de todos nós e se alcançamos tal status a inércia é quase que um fator consequente. O ateísmo na classe média é tão comum quanto o suicídio, declarar que Deus não existe e que o que você tem é seu porque você conquistou é com certeza mais massageador ao nosso ego, até porque Deus só vem atrapalhar nossa riqueza, colocar em cheque nossa seguranças e menosprezar nossa estabilidade, melhor acreditar nos astros, que diariamente me encorajam a conquistar mais.

Difícil o ateísmo é para a Dona Maria, mãe solteira, moradora de favela, com dois filhos e um emprego de merda, que quando jovem saiu de casa confiada em si mesmo, mas a vida lhe surrou e lhe mostrou que sozinha não dá, pra essa senhora o ateísmo é que não existe, afinal de contas se Deus não existir, melhor é ser atropelada pela vida e partir, pois sem esperança é impossível viver e pra quem não tem nada, a única coisa que tem é Deus. Talvez seja por isso que Jesus chama os pobres de bem aventurados. Não existe Darwin que enxugue lágrimas na cadeia, não existe filosofia nos hospitais, nem astrologia em cemitérios. A presença do muito, foi o que gerou a ausência do Deus!

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