Um Relacionamento Estranho

Era estranho o nosso relacionamento. Havia, sim, um quê de submissão em todas aquelas tentativas infrutíferas de fazer o que queria — mas isso era o de menos. Pior ainda é quando me via no meio de uma ação na qual eu não queria nem tomar parte e dava-me conta apenas quando já havia iniciado o processo. Eu simplesmente ia.
Só que, quando você se habitua a isso, é difícil extrair aquela voz da sua mente. Assim, no isolamento, reduzia-me a menos do que sou e satisfazia-me naquela redoma. Era a minha zona de conforto, onde estaria definitivamente seguro de qualquer aborrecimento.
O aborrecimento, talvez, é tudo aquilo que nos traga de volta ao normal. Sentir-se por inteiro envolve uma dedicação não usual chegando ao desconforto onde deveria haver apenas naturalidade.
A pior sensação é dar-se conta de tudo isso. Olhar para trás e para dentro e não acreditar como podemos deixar-nos chegar a este ponto. Mas se chega. E os anos passam e passam e passam. Ninguém vai entender, poucos poderão ajudar.
Antes que seja tarde demais. Que não seja.
Foto: “sold” por Patrick Verstappen