Otis Visita Casa Ferrara

E eles eram todos amarelos

Existem coisas que eu já não quero e não posso mais negligenciar. Eu acho impressionante as formas e métodos que Deus escolhe para nos ensinar determinadas lições e plantar em nosso coração uma visão mais abrangente e ampla do Reino que Ele deseja estabelecer dentro de nós.

Visitei recentemente a Casa Ferrara (apelido carinhoso que demos a uma de nossas igrejas locais) para viver um desses aprendizados que nos ajudam a compreender melhor o Reino e a distância que estamos de Sua perfeição.

Gostaria muito de tentar colocar em palavras as três principais lições que aprendi com essa visita: a unidade que leva a irmandade que leva ao amor que leva a unidade de novo e por aí segue.

“Ferrara é o fluxo”, um amigo diria. E tenho que admitir que pelo o que conheci de nossa casa lá, o fluxo é um ciclo movido a amor, sacrifício e compartilhamento. Não tenho palavra em língua alguma para descrever o quanto eles são unidos. Há naquela casa um senso real de unidade como eu nunca conheci antes. Por diversos fatores, posso afirmar que essa união é bíblica e genuínamente cristã, porém, não posso afirmar que compreendo a união bíblico-cristã, não depois de vê-los juntos em casa. Não é uma união político-social, não está vinculada ao sistema que rege a instituição religiosa, nem é uma união aparente dentro do “templo” se assim o chamaremos. Não. A unidade que eles apresentam está totalmente vinculada ao coração. Eles são muitos e mutuamente dependentes uns dos outros, em oração, em aconselhamento, em diversão. Ninguém faz nada sozinho sob o contexto da igreja local. Ninguém sequer fica sozinho. Passei 8 horas lá e não estive sozinho em momento algum. Uma unidade calorosa e intencional: os jovens da Casa Ferrara querem ser unidos e querem caminhar juntos, fazendo de alguma forma com que todos encontrem um lugar e espaço nesse abraço gigantesco.

A unidade que eles apresentam está totalmente vinculada ao coração.

Ah, abraços. Uma quantidade impressionante de abraços. Abraços como eu nunca tinha visto antes. Como um amigo diria: “disse oi, deu um abraço, já é um de nós”. O poder de aceitação e acolhimento que se esconde misteriosamente e então se revela no primeiro abraço, seja como for. É algo incrível de se testemunhar e fazer parte. O abraço é como um selo do ritual cotidiano de irmandade. Não há como visitar a Casa Ferrara sem receber dezenas, centenas de abraços, com os mais diversos e autênticos significados: acolhimento, alegria/júbilo, consolo, cuidado. A unidade dos “Ferrara” tem por sacramento o abraço — e depois de alguns abraços, todos alcançam a irmandade.

O abraço é como um selo do ritual cotidiano de irmandade. A unidade tem o abraço por sacramento.

O senso de irmandade é o mais poderoso elo entre eles. Por serem uma igreja local, a maior parte dos jovens da Casa cresceu junto, seja na igreja ou não, mas pelas ruas, vielas e praças locais. E através dos ensinamentos de Cristo, os “Ferrara” se descobrem irmãos, e alimentam essa irmandade com tudo o que é direito. Eles são uma grande família unida em irmandade. Eles compreendem que compartilham e tem em comum o mesmo sangue: o poderoso e inigualável sangue de Jesus. Esses pontos são cruciais, porque os leva a uma vida de entrega generosa uns pelos outros: eles empenham seus dons e talentos para o usufruto de todos, abrem suas casas, carros e espaços para acolher uns aos outros, entregam o melhor de si para a causa do evangelho que alcança e transforma vidas.

Eles compartilham e tem em comum o mesmo sangue.

Tudo isso gera amor. O amor de 1 Coríntios 13. Paciente, bondoso, que não se irrita, que não se orgulha de modo soberbo. Amor que sofre, amor que espera, amor que acredita. Amor que perdoa falhas da falta de amor. Amor que se mostra, revelado, nítido, vivo, caloroso, agitado, real, abraçável. Amor que se estende muito além das quatro paredes da sala de culto e percorre as casas, pontes e caminhos de canto a canto da vizinhança. Amor que cruzou fronteiras geográficas e sociais para me encontrar aqui, há 20 quilômetros de distância.


Como podem se amar tanto? Como podem ser tão unidos? Esse mistério não está na dura realidade social ou adversidades locais. Esse mistério está na transformação genuína que Cristo executou em cada um deles. Ao assim fazer, essa obra de transformação se expandiu e expandindo vai, tentando amar sem olhar a quem, plantando sementes de casas e moradas onde o Espírito de Cristo tem tido espaço para redecorar e autenticar a realidade Dele na realidade nossa. Nossa porque faço parte disso — não pela localidade, mas pelo coração — afinal, somos uma família em muitas casas, uma casa com muitos quartos.

Não que o tenha alcançado, mas o que vi, vivi e experimentei me inspiram a deixar de lado meu ego e minhas vontades egoístas para tentar amar aqui — aqui de localidade — como lá amei. Responder tanto amor com amor é caminho lógico. Nosso grande desafio é responder com amor toda hostilidade e ódio, até que se tornem amor. O amor que encontrei entre eles nasceu de uma resposta amorosa à hostilidade e ódio.

Responder tanto amor com amor é caminho lógico. Nosso grande desafio é responder com amor toda hostilidade e ódio, até que se tornem amor.

Suplantado pelo encanto, não conseguirei ser mais descritivo. Fizemos de tudo, mas o encanto não está naquilo que fizemos quanto está naquilo que sentimos. Há um relance do céu no mais improvável dos cenários porque há cidadãos do céu vivendo na Casa Ferrara.

Eles são todos como um só, e em nome do conceito, eles eram todos amarelos. E eu dediquei uma música pra eles, por causa de tudo o que eles fizeram — aqueles ossos e peles formaram algo lindo. Você sabe o quanto eu os amo. Por eles eu sangraria toda a minha vida até que não houvesse mais sangue nem vida em mim. Aprendi a amar o amor, a unidade e a irmandade como uma parte de mim mesmo. E essa é a mais valiosa lição de todas.

Agradeço absurdamente aos queridos amigos-irmãos Kelvin, Jordani, Moisés, Miguel (Di Ferrara), Luiz, e a maravilhosa Fabíola, pela hospitalidade incomensurável e inigualável com que me receberam, junto com todo o time de vocês em sua igreja local, suas casas e suas vidas. Sua amizade não tem preço. Àqueles que fazem parte de tudo isso que ainda terei a chance de conhecer mais, meu super-obrigado. À Bárbara, obrigado pelo bolo de pote. Mantenham-se firmes, unidos e amáveis.

Ferrara é W🌎NDER