Quando a graça me basta

Ao invés de nos deixar sentindo indignos de nosso relacionamento com Ele, Deus nos chama de filhos.

É impressionante para mim pensar em tudo o que Deus tem feito. Ele tem sido fiel à Sua Palavra, tem sido misericordioso pela minha vida e gracioso em seu agir.

A cada dia que passa tenho me deparado comigo mesmo de um lugar de fraqueza e impotência. Não tenho conseguido me manter constante ou diligente em minha prática de fé e isso tem sido plenamente coberto pelo favor de Deus. Não sei se há como fazer você entender o que tenho passado, mas vou tentar assim mesmo.

Estou oficialmente num momento em que a graça não apenas me basta mas definitivamente tem sido a minha força. Tenho estado tão bagunçado ultimamente que não tenho coragem de cogitar exigir Glória em qualquer coisa que eu faço. É pura graça e misericórdia triunfando sobre o julgamento. Não mereço nada, e toda vez que tenho sido confrontado ou colocado em destaque, tenho percebido isso. A graça tem sido a minha força, e espero de coração que ela comece a me sustentar ... e a me fortalecer.

Paulo escreveu sobre isso em dois momentos distintos, um dirigido à igreja de Corinto e outro a seu discípulo pessoal, Timóteo.

E você, meu filho, seja forte por meio da graça que é nossa por estarmos unidos com Cristo Jesus. — 2 Timóteo 2:1 NTLH

À Timóteo Paulo fala sobre encontrar força na graça de Cristo. Enxergo essa pequena passagem como uma exortação contra o ego. Paulo está aconselhando Timóteo a se fortalecer da graça — uma ação especialmente espiritual — ao mesmo tempo em que está, sutilmente, dizendo a Timóteo para não confiar em sua própria força — uma ação especialmente humana.

“Como assim?”, você pode estar se perguntando. Vou tentar simplificar. Temos a terrível tendência de confiar em nós mesmos, mas a cada novo dia do nosso relacionamento com Jesus, somos apresentados à realidade oposta: não somos confiáveis.

Em seu relacionamento com Ele, você se enxerga um homem podre e escroto e totalmente indigno, ao mesmo tempo em que é levado a reconhecer (e ensinar) o quão maravilhoso e santo e puro e merecedor Jesus Cristo verdadeiramente é. E você não consegue ser melhor. Você não consegue. Você tenta e se esforça e é pego sempre nas mesmas armadilhas, como se Deus estivesse — e está — tentando te dizer algo. E então toda vez que você recebe um elogio ou um feedback positivo em torno de algo que você fez, você é levado a entender o quão errado você está, e neste momento, tudo o que ​você sabe e reconhece é que não foi de você. Não poderia ter sido você.

Isso nos leva ao texto de 2 Coríntios 12, quando Paulo diz que a graça de Deus o bastava (v. 9), e que o próprio Deus o disse isso, para que ele “não ficasse orgulhoso demais das coisas maravilhosas que ele viu e fez” (v. 7).

Tenho honestamente experimentado Deus se aproximando de mim enquanto eu estou me distanciando tanto. Parece que quanto mais perto Dele enxergamos mais de nós mesmos. Quanto mais a gente O conhece e se aproxima Dele, menos santo a gente parece ser, de tão santo que Ele é.

Esse vislumbre da realidade de Glória que essa aproximação me traz me leva a querer estar mais perto. Talvez esse seja o significado da oração do salmista: eu prefiro estar um dia em tua casa que mil outros em outro lugar (Salmo 84:10), simplesmente para poder contemplar a beleza da santidade de Deus.

Ainda bem que Deus não nos acusa, mas nos acolhe. Ao invés de nos deixar sentindo indignos de nosso relacionamento com Ele, Ele nos chama de filho. Um filho tem direito a um relacionamento com o Pai. Ao nos chamar de filho Ele nos estende o direito a um relacionamento com Ele. O que nos leva a dizer em nossa alma: Aba.

Isso é inexplicável. Literalmente, não dá pra explicar. É pessoal e experimental. Honestamente, não oro por uma igreja cheia de pessoas com dons e talentos e disposição em se voluntariar, mas por uma igreja em que as pessoas se encontrem nessa situação, para que se conheçam em Deus como Seus filhos. Oro para que você o conheça como seu Pai e tenha desejo de se relacionar com Ele como filho. E faço essa mesma oração por mim mesmo, para que eu possa passar mais um dia na casa do Pai, e mais outro e mais outro.

A graça tem me bastado. A graça tem me abastado. A graça tem me sustentado. Tem sido a minha força, e tem me fortalecido.