Speachless: um review de Wonder

Não há palavras para descrever “Wonder”, o novo disco do Hillsong United

Lançado oficialmente hoje (09/06), o novo disco do Hillsong UNITED Wonder” tem tudo o que é preciso para se tornar um clássico. Com uma sonoridade (e design) inspirado nos grandes hits pop dos anos 80, letras inspiradas em mensagens de esperança e contemplação, com simbolismos e analogias sobre a graça de Deus através de visões da natureza criada, vocais e arranjos estonteantes, “Wonder” se apresenta como um surpreendente sucessor do excelente “Empires”.

Ao que parece, a cada disco o UNITED se supera no quesito inovação. Se apresentando com cada vez mais dificuldade de agradar os fãs de gêneros musicais utilizados nas décadas passadas, a banda australiana se apropria do gênero atual, fazendo um uso cada vez mais maduro de efeitos eletrônicos e samplers. Se desde “Zion” a banda dá sinais de não ser mais a banda de pop-rock do passado, em “Wonder” esse novo formato se consolida. Agradou bastante aos fãs que conseguiram evoluir junto do som da banda ao longo dos anos. As canções estão melhores do que nunca. Se Joel e cia nunca mais escreveram uma “Oceans”, podemos dizer que a miscelânea de temáticas e sonoridades traz uma coesão ao novo projeto como talvez só foi visto em “Empires”. Mais festivo e “colorido” que o anterior — que por acaso era preto e branco — o novo disco, traz canções de louvor. Surge um novo momento na adoração global, que neste momento transforma a tristeza em ecstasy, como cantado por um Matty Crocker robótico em “Shape of your heart”, um dos singles do álbum que apresenta um dos melhores momentos do projeto.

A coesão do todo é encantadora, mas é claro que alguns momentos se destacam. Entre eles, a exitante faixa título, que dá abertura e tom ao álbum como um todo, convidando a todos a se lembrar dos momentos iniciais da fé, do espanto e admiração existentes nos primeiros momentos da caminhada cristã. Joel disse que a temática do disco reflete o retorno do encanto (wonder) tanto da fé como da adoração. Crocker e Taya ficaram maravilhosos em sua performance da canção.

Mãos pra cima para a excelente “So Will I (100 Billion X)”, performada em uma participação surpresa pelo irlandês Benjamin Hastings (de “Crowns”, em “Let There Be Light”). A canção é uma declaração poderosa sobre a realidade da criação enquanto admiradora obediente da grandeza e vontade de Deus. Com a letra mais extensa do álbum — que pode ser marcado por esse tipo de coisa, inclusive — Hastings guia o ouvinte a um patamar de contemplação elevado, quando reconhece a todo refrão que ao ato divino da FALA/PALAVRA tudo se modifica, ganha vida e propósito.

Splinters + Stones”, um dos singles do álbum é outro momento a ser destacado. A canção com duração suficiente para tocar em rádios faz um belíssimo paralelo entre a história da mulher adúltera que foi inocentada por Jesus e nossa condição como Igreja. Destaque para os versos e ponte, com uma belíssima parceria vocal de Joel e Taya. Outro dos singles do álbum “Shadow Step” é uma linda balada pop, com vocais macios de Taya. Destaque na canção para frases como “me mova como você move as montanhas” e o conceito de estar “pronto para o inesperado”. Como faixa 2, acredito que essas frases nos preparam para o que ainda estaria por vir no decorrer do disco.

Future Marches In” é talvez a segunda canção mais dançante do disco, e ainda melhor do que a também dançante “Wonder”. Também liderada por Crocker, a canção convida a todos a cantar, nos lembrando os motivos centrais da salvação e da vida que temos com Cristo, que nos permite olhar sem medo para o futuro. Essa é inclusive outra canção com letra extensa e versos modificáveis, permitindo que você cante e repita suas partes favoritas. Esse foi um dos recursos mais utilizados no decorrer do álbum: versos e refrões com modificações pontuais e repetições que variam do formato de métrica utilizado em outros projetos anteriores dão uma vitalidade a mais às canções, visto que elas parecem fluir tranquilamente ao longo do disco, sem muitas preocupações, apenas cantando e repetindo declarações bradantes.

Glimmer in the dust”, que pode ser chamada apenas de “Glimmer” — de acordo com os Live vídeos de lançamento do disco feitos pela banda em redes sociais — traz a maior quantidade de compositores de uma única canção no álbum, e o refrão mais cantável de todo o disco. Com características para se tornar um poderoso hino, “Glimmer” apresenta Taya, Jad e Joel em uma parceria tripla poderosa, que nos relembra do momento em que encontramos o amor ao nos depararmos com a cruz e a luz. A canção trava uma caminhada pela temática da fé sobre a espera terrena pela realidade eterna do paraíso. A canção meio que encerra a primeira metade do álbum, dando espaço para um novo foco da temática. O amor que não conhecemos por completo pode ser visto mais profundamente nas letras da curta e bela “Greatest of these”. A canção, performada por Joel e Brooke Lighterwood — outra super participação especial — apresenta as características do amor perfeito que É Deus em menos de 4 minutos e em linguajar bíblico.

Outras canções como “Not today”, com Taya Smith e “Life”, com JD e Michelle Cook (participação especial) colaboram para compor a declaração de fé e perseverança em busca pela contemplação completa e perfeita de Deus e sua obra criadora e redentora, porém, não se tornarão clássicos etéreos. Por outro lado, canções como “Rain / Reign” tem vida útil prolongada, graças a sua característica mais congregacional. A bela canção, performada por Jad e Courtney Tenikoff (mais uma participação especial) pode ser mais facilmente assimilada por uma congregação, graças a sua estrutura métrica quaternária — é talvez a que mais se assimila congregacionalmente entre todas as canções do disco. “Rain / Reign” ainda surpreende com um belo coral encerrando a canção cantando os dois refrãos.

Fechando o disco, seguindo a linha de encerramento inaugurada em “Empires” com “Closer than you know”, a surpreendente “Water to Winewraps up a mensagem do álbum, com declarações sobre a necessidade de desejo de se permanecer do amor que gera o encanto e beleza da vida cristã, transformando até o caos do mundo em encantamento. A canção é longa, atingindo quase 10 minutos, sendo que os últimos 2 minutos são pautados por uma gravação de uma criança declarando que “amor é simplesmente amor”.

A simplicidade da visão de uma criança sobre o significado do amor talvez seja o alvo que o projeto quisesse atingir, ao se propor voltar ao início da “caminhada” e reencontrar o encanto divino na vida terrena. Uma parte de mim, consegue pensar, teorizar a analisar o contexto do disco. Uma outra parte de mim, está sem palavras para descrevê-lo. “Wonderis just Wonder”.

Aproveite e ouça o disco, que já está disponível no Itunes, plataformas de streaming e com uma playlist completa de lyric videos no YouTube.

Melhores momentos: “So Will I (100 Billion X)”, “Future Marches In”, “Glimmer”, “Wonder”.