Amor é um. Paixão é dois.

Tipos de amor, amor romântico, paixão e como esses sentimentos dialogam entre si.

Todos nós crescemos sendo ensinados de que existem os mais variados graus de amor: amor de mãe, amor de filho, amor de irmão, amor de amigo e, claro, o tão famigerado amor romântico (alô, princesas da Disney). Mas com o tempo, isso cada vez fez menos sentido para mim. Com o tempo, eu fui entendendo que o que nos foi vendido como esse “amor romântico” nada mais era do que a chamada “paixão”.

Pra mim nunca houve essa diferenciação de tipos de amor. Amor é uma coisa só. Você simplesmente o sente. E na minha opinião, é o sentimento mais sublime, pois contraria a nossa própria biologia, o nosso corpo — a nossa máquina de sobrevivência, como diria Richard Dawkins. Qual é o sentido (bio)lógico em seguir amando alguém que já se foi? O amor sublima todas as diferenças e nos une em uma só sensação: a de plenitude.

Paixão, por sua vez, é o desejo de consumir o outro. É uma fome insaciável. É o querer estar todo tempo ao lado da pessoa. É respirar o outro. É um querer que suplanta o próprio desejo. A angústia de ter a pessoa ao lado mas já sabendo que em algum momento ela não estará ali. É uma dor lancinante e que apazigua ao mesmo tempo.

E é aí que entra outro ponto que aprendi com a vida: amor e paixão não são antagonistas, eles podem caminhar juntos. Você pode sim, amar uma pessoa ao mesmo tempo em que está apaixonado por outra.

Eu acredito que o que as pessoas chamam de “fase mágica” de um relacionamento — geralmente aqueles primeiros meses — trata-se da paixão. Passada ela, a relação pode vir a se consolidar como amor — novamente, não é algo melhor ou pior, apenas uma fase diferente — ou se tornar algo que teve seu tempo de duração, e que foi ótimo enquanto durou. E tudo bem ter um fim. Caso vire amor, a necessidade de consumir a pessoa todo o tempo passa, e se transforma aos poucos em uma paz. O outro não precisa estar lá, para estar lá.

Pra mim, o que torna o amor algo tão sublime, é que ele permite que você ame mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Dá pra amar dezenas, centenas de pessoas. A quantidade de amor não se esgota aqui dentro, é uma fonte infindável. Amor não se gasta.

Já a paixão… É impossível estar apaixonado por duas pessoas ao mesmo tempo. Porque a paixão é o desejo puro. Você precisa exatamente daquela coisa para saciá-lo. Outra não basta.

A paixão é aquele casal na mesa ao lado que não para de conversar, gesticular e se divertir por um minuto sequer. O amor é aquele casalzinho de idosos ao fundo do restaurante que sabe apreciar o silêncio um do outro.

Para o amor, basta um. Paixão exige dois. Amor é um estado de espírito que se encerra em você mesmo. Já o apaixonado precisa consumir o seu objeto de desejo para que o sentimento se concretize.

A paixão é o prazer. O amor é a plenitude. A paixão é a labareda. O amor é o calor do sol na pele. A paixão é o agora. O amor não mede tempo.

E qual sentimento é o melhor?

O melhor é se entregar ao que vier pela frente.

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