Ponto

Sempre gostei de pontos finais. Redondinhos. Simples. Práticos. Sem alarde, eles tornam textos mais dinâmicos. Dão aquela pausa necessária quando há muita informação. Colocam a certeza de um ciclo finalizado — ou pelo menos parte dele. Quando você menos espera, ponto! Respira e começa outra frase. Fácil. Rápido. Indolor.

As letras maiúsculas indicam um novo começo. Hey, algo novo espera por você! Calma, calma, não precisa desesperar. Logo ali na frente vem outro ponto. Outra sentença. Outras palavras. Outra história. Tudo com começo, meio e fim — ou, se preferir, com sujeito, verbo e predicado.

Ponto final é segurança. Estabilidade. A frase termina e tudo o que vem na cabeça é "SUCESSO!!! Bora pra outra!". Fim.

Se o final é seguro, o ponto de interrogação é o oposto. O primo torto da exclamação. O que ele carrega? Dúvida. Angústia. Ansiedade. Viu? Você mal acabou de ler a pergunta, seu cérebro já está gritando loucamente por respostas. AI, MEU DEUS, O QUE SERÁ QUE VEM A SEGUIR? É coisa boa? Ruim? O que cargas d'água é um sensate? To be continued o escambal. EU QUERO É UMA RESPOSTA!

Sabe o que é pior? Uma dúvida sempre gera outra dúvida. Viu uma interrogação? Prepare-se, outras virão. Agora que já sei o que é um sensate, por que a Angélica os escolheu? O que conecta a história de um a do outro? Ai, que confusão! Posso pedir ajuda dos universitários?

A vida seria muito mais simples se existissem apenas pontos finais. Nada de interrogação. Apenas certezas. Certeza? É, acho que sim. Acha ou tem certeza? Sei lá, eu não sei de tudo. Epa, mas se não sabe por que acha que deveria saber? Me disseram que eu deveria. Quem? A vida. Cuja única certeza é? A morte. Que é o? Fim. Ou o começo? De quê? De uma busca por respostas cuja essência é a dúvida.

Ponto. Final ou de interrogação?

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