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Um mês, seis dias …

… sete horas e quarenta e quatro minutos ( Parte Um )


Quantos “te quero” cabem entre um dia cinco e um dia onze qualquer?Tantos quantos os sexos deixam soar no curto período de vão entre os corpos…

Ali, nos passos apressados do atraso instituído, não se antevia as maravilhas daquela primeira noite. Os olhares se contemplam.

Um, tímido.
O outro, em casa.

A cordialidade das primeiras horas, a educação das primeiras palavras trocadas…

Quanto engano! Queriam engolir um ao outro, degustar um ao outro, atritar um no outro. As reticências do rapaz em nada ajudaram. Mas ele as manteve, entre conselhos pseudo-importantes, e por entre as risadas de descontração da guria.

O local era envolto por uma esfera intimista. Pontuado por vozes do passado de Liverpool, e devidamente regado a destilados & fermentados, tornou-se o cenário perfeito para a vasão do desejo crescente & latente.

Meio sem jeito, mas por demais incisivo, ele ousou baixar as cartas e a guarda de tudo o que sentia. A garota, cansada de esperar, pegou o seu Dunhill e, diante de um “vamos fumar”, acabou com a agonia desnecessária do garoto.

E, para a surpresa dela, havia ali uma força, segura de si, só aguardando o sinal verde para conseguir a tão sonhada liberdade.

Os lábios, a boca, a língua, as mãos, o corpo como um todo era mero escravo e instrumento das vontades-de-curva-crescente.

Apalpar era lei, e a respiração pesada dos corpos capazes de tudo, ansiosos por consumir ao outro por inteiro, selavam as impressões certas e erradas no passado.

Mas foi um pouco além: ambos, impressionados, decidiram por prolongar o quanto fosse possível aquele momento. E tudo o mais foi amplificado.

A cerveja ficou mais saborosa; a conversa mais leve e mais interessante. A música, agora ao vivo, era somente perfeita. Fotos tiradas, beijos e mais beijos, e a vontade de acariciar, de sentir a pele do outro na própria pele faziam a alma sorrir.

Mesmo o erro de interpretação da bartender, ao definir “aqueles dois” como um casal, como marido e mulher, só serviu para dar a certeza de que havia ali, o desdobramento de alguma vontade.

Veio o frio, e ele esquentou as mãos dela.

Veio a jam session, e as músicas autorais ou não se espalharam igualmente no salão.

Veio um bom drinque, que prolongou a “alegriSSe” física no ser.

Veio a manhã, mas nem ela pôde conter aquele momento.

Veio a sensação de “eu quero mais, muito mais” no peito do rapaz.

Então, veio o “vamos embora”. Mais um Dunhill no meio do caminho.
O ponto vazio. Os corpos cansados, mas roçando um no outro.

Nela, o prazer de uma noite cheia de boas surpresas.

Nele, a certeza de que ela valia muito todo e qualquer esforço.

Ele dormiu como há muito tempo não conseguia: Mente e corpo, na mesma frequência, desligam em uníssono a consciência, entregando aos sonhos o protagonismo das coisas na mente do rapaz.

(continua)

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