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Estes olhos pesados

Dizes gostar de saber que és bonita,
Desejada.

Sorrio,
Mas me entristeço.

Incapaz de ver-te linda a ti mesma, como és,
Segues na eterna busca
Da externa confirmação,
Invisível prisão.

Qual corrente inquebrável
Ela a mantém cativa,
Presa fácil de segundas intenções,
Vítima previsível de novas ilusões.

Até quando?, me pergunto.

Te afastas de mim,
Em busca de olhos outros que te desejem,
Olhos onde não te vejas refletida continuamente,
A encarar-se em tua nudez.

Como os meus, eu sei.

Olhos outros, sem peso, sem história, sem marcas,
Mas de leveza insustentável.