Portátil é do caralho, mas eu acho uma bosta

Recentemente surgiram novidades sobre o Nintendo NX. Ele realmente será um videogame híbrido, ou seja, meio portátil, meio mortadela de mesa. Eu confesso que os anúncios da Nintendo não me deixam de pau duro como me deixavam antigamente. Culpa de uma avalanche de erros que não vem ao caso agora.

Na coluna “Uma Pitú, um Derby vermelho e um Joytiq” desta semana, eu vou falar do mundo sensacional dos portáteis. Esses videogames de bolso que levam a alegria a todos os lugares, mas que eu acho uma merda.

Uma vez eu comprei um Game Boy e cobri ele com meu vômito.

Quando eu estava ainda no colégio, acredito que no primeiro grau, um colega quis vender seu Game Boy tijolo. Para quem não conhece, é esse aí da foto. O primeiro modelo que era preto e branco, mas tinha essa cor amarelada da tela. Ele me vendeu com Batman e a fonte de energia. Lembro direitinho dele me entregando tudo dentro de uma caixinha de Correios e eu pagando R$ 60. Era barato na época e pela conversão atual, isso daria o equivalente a meia hora de amor com uma menina/menino mais ou menos.

Como eu não tinha pilhas, corri para casa e toquei o treco na tomada. Era maravilhoso. Horrivelmente maravilhoso. Os gráficos eram meia boca, mas foda-se! Eu estava sentado no trono, defecando, enquanto me maravilhava com Batman e sua música cafona da geração 8 bits. Se isso não é emponderamento infantil, eu não sei mais o que pode ser.

No dia seguinte, resolvi levar ele para o colégio. Na época eu ia de carona com meu pai e voltava de ônibus. Na volta, inventei de jogar o título e ignorei sinais importantes do meu corpo, sinais típicos que sinto quando leio, por exemplo: enjoo forte, vontade de vomitar, tonturas.

Entre uma curva e outra no regresso para casa, o corpo simplesmente desistiu de me enviar sinais e o pior aconteceu. Um jorro quente saiu da minha boca em direção ao videogame e ao meu colo. Encharquei o Game Boy com leite azedo do Nescau matinal e pão umedecido do sandubinha que comi no recreio. Foi tão constrangedor que sai do ônibus meio que as pressas e voltei caminhando até em casa com vergonha do meu cheiro.

Nota: anos depois, quando já adolescente, passei a voltar seguidamente para casa com esse cheiro e isso não me incomodava mais.

O Game Boy funcionou perfeitamente depois. Não foi sacrificado, mas daquele dia em diante ficou evidente que eu deveria usá-lo apenas para fins recreativos dentro de um ambiente controlado.

Game Gear e a verdade: eu não aprendo.

Não achei uma imagem boa do GG então botei essa da hora do pai e do filho fumando. ❤

No meio da década de 90, minha vó foi para a Europa e perguntou o que eu queria de presente. Eu pensei em pedir um videogame, mas fui alertado que lá não só era 220v como os videogames eram PAL N, uma tecnologia diferente das nossas TVs. Naquela época isso era um problema. Algo bem diferente de hoje. O que eu pedi então? Um Game Gear, claro.

Passou 20 dias e meus avós me deram não só o portátil como 4 jogos e uma bateria gigante externa já que o Game Gear usava oito pilhas AA e que, segundo falam, foi o responsável pela explosão de Chernobyl após um pequeno menino ucraniano jogar por 12h seguidas.

Porra, que do caralho! Eu tinha um Game Gear. No dia seguinte fui levar ela para a escola e, no carro, já senti náuseas só de brincar com The Lucky Dime Caper (JOGUE). Naquele momento, eu entendi o que acontecia. Passei a compreender que eu fui amaldiçoado no meu nascimento pelo diabinho dos consoles e que jamais poderia jogar portátil normalmente. Somente o beijo de um príncipe encantado me libertaria disso. Optei pelo sofrimento eterno.

Mas e o NX? Bora comprar?

Cheguei a pensar sobre escrever a coluna falando o NX, contudo tenho sentimentos confusos sobre o portátil de mesa. Depois do Game Gear, eu tive um Game Boy Advance, um DS e atualmente ainda tenho um 3DS. O GBA e o DS comprei apenas porque minha antiga profissão (jornalista dus games) me obrigou. O 3DS minha namorada me deu de dia dos namorados. Jogo ele eventualmente na cama ou no carro enquanto preciso esperar alguém. Terminei o Super Mario 3D Land nessa frescura inclusive.

O NX tem muita coisa que me agrada como Mario e Zelda. Muita coisa que não me incomoda como gráficos e cartuchos e muita coisa que acho idiota como o provável preço cheio e a vida esquizofrênica de um console sem geração. Então foda-se o que penso dele. Escreverei sobre isso mais para frente.

- Tenta me pegar, filho da puta.

A única certeza é que a Nintendo é sensacional quando o assunto é portáteis e, por isso, dificilmente ele será ruim. O problema é que não vou pegar por isso. Se for comprar, é para pôr na mesa e ligar na TV.

Nada contra portáteis. Eles são do caralho, no entanto eu acho uma bosta.

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