Teatro de Marionetes — Sem Forma

“No princípio criou Deus o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia” — Gênesis 1:1,2
Foto: Marcos Ermínio ¹

Sem Forma

“Sem forma e vazia”, é como enxergo a juventude de hoje. Sem forma e vazia, seguindo vento de vãs doutrinas e como em um teatro de marionetes reproduzindo textos escritos por pessoas sem escrúpulos e mostrando que não passam de bonecos de plástico. Alguns de plásticos, que a estética até engana, outros de madeira oca — que revelam a condição em que se encontram -. Suas falas? bem… são vazias. Seus propósitos? E há propósito? Quando foi que chegamos a isso, o professor Olavo explica², mas até onde vamos ir? Só Deus sabe ou aqueles que, iluminados pela palavra entenderam que um abismo de corrupção chama um abismo de destruição e coletivismo — ou roda de escarnecedores nesse caso — sem identidade, podem levar ao fim de uma nação. Há esperança? Há. Mas um bom começo para a mudança, creio que seja a análise: Da autocrítica ao coletivo.

Essa semanas pós eleição foram palco de muitas manifestações. Pessoas das mais diversas classes foram às ruas para manifestarem os seus descontentamentos com o governo que ainda nem empossado foi. Outros por sua vez, fizeram das redes sociais a sua plataforma de manifestação . É interessante notar que em meio a histeria generalizada, o discurso é o mesmo, quase como um roteiro:

“Se fere a minha existência, então serei resistência.”
“Fascista, racista não passarão!”
“Ninguém solta a mão de ninguém.”

Quase como um teatro…

Duas dessas manifestações — ou teatro — me chamaram bastante atenção:

E também essa aqui:

No primeiro vídeo, alunos de uma das escolas mais caras do estado, se juntaram no pátio escolar, de mãos dadas uns aos outros e gritam:
“seremos resistência!”

Já no segundo vídeo alunos do IFCE entram na escola de mãos dadas, quase que em fila indiana, gritando:
“Ninguém solta a mão de ninguém”

Essa era a resistência deles…


“Pela primeira vez examinei a mim mesmo com o propósito seriamente prático. E ali encontrei o que me assustou: um bestiário de luxúrias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados. Meu nome era Legião” — Clive Staples Lewis ³

Por não terem forma, não têm identidade

Na Torah, o nome estava muitas vezes ligado à identidade que os pais atribuíam aos filhos.

Abrão, por exemplo: “muitos, multidão”;

Abraão: “Pai de muitos” ou “Pai de Multidões”

Isaque: “Filho da alegria”

Naquela época, eles entendiam que o nome falava muito a respeito de quem a pessoa era. Representava a forma que ainda não existia, mas se tornaria identidade. Por forma, quero dizer o conhecimento de si. Não há identidade, quando não se sabe quem é. Hoje, a juventude está mais preocupada em ser parte de um bando do que ter uma identidade própria. Como naqueles vídeos, mesmo a motivação sendo vazia e sem propósito, eles repetiam um comportamento de bando. Foram ensinados a ser assim e assim são. Estavam ali, marcando um encontro, provavelmente planejado através do Facebook e cheio de exaltações em seus respectivos post’s— daquelas que a gente só vê na internet — vazias e sem propósito. É o que restou para Eles… Não tinham forma e porque não tinham forma, também não tinham identidade e por não terem identidade eram vazios. Não sabem quem eles são, nem o que foram chamados para ser e suas expressões só mostram uma vida de bando. Uma vida sem forma e vazia. Uma vida de imbecil e coletiva.

No próximo texto, abordarei o Vazio.

Fonte:

¹ https://www.campograndenews.com.br/lado-b/artes-23-08-2011-08/em-festival-onde-marionetes-ganham-liberdade-crianca-nem-pisca-o-olho

Recomendações de Leitura:

² O Imbecil Coletivo — Olavo de Carvalho: https://amzn.to/2JRGdzy
³ Surpreendido pela Alegria — C.S. Lewis: https://amzn.to/2Ds8yMd