Agosto

Estávamos a quatorze anos no mês de agosto. 
Alguma coisa terrível e inexplicável 
havia alterado o andamento do tempo 
e ficamos presos naqueles dias intermináveis.

Quatorze anos. A mesma folha de calendário, 
a mesma dobradura de papel em formato de pássaro, 
a mesma angustia na face de Vana, 
a mesma índia sorrindo na janela, 
a mesma melodia ressoando no espaço.

Quem poderia imaginar? Quatorze anos. 
Pois é, a vida foi passando e a gente nem viu. 
Os meninos já estão uns rapazotes, 
a cadela deu cria mais 20 vezes, 
finalmente a macieira deu frutos 
e Seu Alceu, coitado… era câncer, não deu.

Pablo Sola

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