Dialogo com as maquinas nº 22

Não são as flores deste jacarandá, tenho certeza
pois as flores se tornarão anedotas, e logo, comerciais de TV.

São os infinitos muros que crescem cobrindo as janelas,
roubando dos meninos indolentes o horizonte de cores vibrantes.
São as pequenas e desgraçadas manipulações edulcorantes
que fazem crescer antenas de celular no coração das meninas.

Quem ira encarar-te e desafiar-te, oceano de tijolos e mentiras?
quem poderá por fim a sua fome, maquina que come mundos?

Será o gesto que paralisa as engrenagens, o definitivo
gesto de amor contido no abraço entre um pai e um filho,
nas moléculas autoimunes de paz e sabedoria de nossas mães
no sagrado e indestrutível laço que une os irmãos para sempre.

Será a força mansa das coisas que são fiéis: a floresta,
o rio, o cume da montanha, o amanhecer e o cão
promessa eterna de uma nova aurora, que vem e virá
até que não reste cimento entre as pequenas ervas.

Pablo Sola

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