Protesto ocupa Brasília leva 100 mil à capital: Temer convoca as forças armadas!

Foto: Mídia Ninja

Na última quarta-feira (24), 100 mil pessoas ocuparam Brasília numa manifestação convocada por movimentos sociais, Povo sem Medo, Brasil Popular e centrais sindicais à favor da destituição de Michel Temer e eleições diretas. O protesto liderado por movimentos de esquerda, reuniu pela primeira vez, em uma década, centrais sindicais que costumam ficar de lados opostos: a Central Única dos Trabalhadores e a Força Sindical.

Foto: Mídia Ninja

A centena de milhares de manifestantes, que marcharam do estádio Mané Guarrincha rumo ao Congresso Nacional protestavam contra contra as reformas da Previdência e Trabalhista e, em defesa de eleições diretas para a presidência da República.

O presidente Michel Temer está sob investigação judicial em um caso de corrupção que causou uma profunda crise política no país e provocou manifestações pedindo sua destituição por todo país. Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha há uma semana, 85% dos brasileiros querem sua saída e a realização de eleições diretas.

Foto: Andressa Anholete (AFP)

A marcha seguia de forma pacífica, mas quando os manifestantes tentavam chegar ao gramado do Congresso foram reprimidos violentamente por mais de 2 mil homens da polícia militar. Houve reação dos manifestantes que tentaram se proteger correndo para a região dos ministérios.

Foto: Mídia Ninja
Enquanto manifestantes eram agredidos no lado de fora do Congresso, o governo tentava votar matérias importantes na Câmara Federal. Deputados da oposição tomaram a mesa da presidência da casa e gritaram #ForaTemer e #DiretasJá.
Foto: Luis Macedo (Câmara dos Deputados)
Do lado de fora, policiais militares sacaram armas de fogo e atiraram contra manifestantes, durante o protesto na Esplanada dos Ministérios. O fotógrafo do jornal O Globo, André Coelho registrou a ação policial.

Governo emite decreto que autoriza emprego das Forças Armadas no Distrito Federal.

O presidente emitiu decreto autorizando o emprego das Forças Armadas no Distrito Federal até dia 31 de maio, à pedido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). O decreto, publicado numa edição extra do Diário Oficial da União foi anunciado por meio de um pronunciamento do ministro da Justiça, Raul Jungmann.
“O senhor presidente da República faz questão de ressaltar que é inaceitável a baderna, que é inaceitável o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venham a turbar o processo que se desenvolve de forma democrática e com respeito às instituições”, disse Jungmann.

Tropas foram enviadas para o Palácio do Planalto e o Palácio do Itamaraty. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Defesa.

Foto: El País

Deputados da oposição ocuparam a mesa da casa e paralisaram mais uma vez a sessão. O deputado Glauber Braga (PSOL), em discurso inflamado leu em plenário a declaração emitida pelo Governo, afirmando que a solicitação havia partido da presidência da casa e que então a Câmara deveria encerrar os trabalhos.

“O pedido de intervenção do exército partiu do presidente da Câmara dos deputados. E aí eu pergunto às senhoras e aos senhores, se houve a solicitação do presidente da Câmara dos deputados para que se estabelecesse um estado de sítio, como que a gente tem aqui naturalidade nesta sessão pra continuar votando como se nada tivesse acontecendo?
Senhores e senhoras deputadas, esta sessão tem que ser encerrada imediatamente”
Dep Glauber Braga

O professor de Direito Constitucional da Universidade de Brasília (UnB), Alexandre Bernardino foi ouvido pelo Jornal Correio Brasiliense e afirmou que a medida é um flagrante de ilegalidade. De acordo com o especialista, a decisão do Planalto, anunciada pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, parece uma “medida desesperada de um governo carente de legitimidade no processo e que enfraquece o processo democrático”.

O senador Randolfe Rodrigues (REDE) protocolou no STF um mandado de segurança contra o decreto de Temer.. A justificativa é que “tal medida excepcional só se mostra cabível quando esgotados todos os meios normais para o restabelecimento da lei e da ordem”.

‘Clima no Exército é de consternação, choque e preocupação’.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o general Eduardo da Costa Villas Bôas, comandante do Exército, negou que haja um risco para o direito às manifestações durante as ações.
”Tanto as forças de segurança pública quanto as Forças Armadas estão empenhadas na preservação da democracia, na observância da Constituição e no perfeito funcionamento das instituições nacionais, a quem cabe encontrar o caminho para a solução dessa crise. Mas a nossa democracia não corre risco.”
Também afirmou que, no caso da saída do presidente Michel Temer do cargo, as Forças Armadas terão um papel de garantir o cumprimento da Constituição e afastou qualquer possibilidade de intervenção e ocupação do poder por parte dos militares.

Após especialistas afirmarem que o Decreto das Forças Armadas era sinal de “governo vulnerável”, o presidente Michel Temer recuou e revogou o uso de militares na segurança da Esplanada dos Ministérios, nesta quinta-feira (25).

Foto: O Globo

O Protesto terminou com diversos prédios públicos depredados, 49 feridos. Segundo o jornal O Globo, o homem atingido por arma de fogo na Esplanada está sedado e respira por aparelhos. Ele foi alvejado no maxilar. Mais três manifestantes feridos no protesto continuam internados no hospital de Base, em Brasília.

Ao acompanhar a cobertura pela mídia hegemônica, que referia-se ao ato como “vandalismo”, muitos afirmaram nas redes sociais que “vandalismo são as reformas que retiram direitos dos trabalhadores promovido pelo Governo”.

POR ELEIÇÕES DIRETAS E A GARANTIA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO: FORA TEMER

O Pad — Processo de Articulação e Diálogo internacional reafirma seu compromisso com a manutenção do Estado Democrático de Direitos, a Garantia dos direitos dos Trabalhadores, a Liberdade de Imprensa, e o direito da escolha democrática de um novo presidente através da realização de eleições diretas, no caso de vacância do cargo de presidente da república.

Repudiamos a intervenção das Forças Armadas e o ataque violento contra trabalhadores que se manifestavam em Brasília e contra a usurpação de seus direitos.

A violenta repressão contra o direito democrático à manifestação, demonstra que o presidente Michel Temer não tem mais a menor condição de comandar o país. Portanto nós apoiamos todas as lutas e movimentos que pedem a saída do atual presidente e a realização de eleições diretas para o cargo.

Reafirmamos o nosso compromisso com a Democracia plena e pela Garantia de Direitos a todas e todos cidadãos brasileiros.

#BrazilResists #DiretasPorDireitos

Pad- Articulação e Diálogo Internacional
Por: Kátia Visentainer — Comunicação