A escaldante negligência da cultura brasileira
O incêndio do Museu Nacional, na noite quente e abafada de 2 de setembro de 2018 é um triste capítulo pra história do país. O palacete aonde morou a família real brasileira se queimou no esquecimento das gerações.
Pra se ter uma ideia, o último governante a visitar o Museu foi Juscelino Kubitschek, pouco antes do término de seu mandato, em 1960. De lá pra cá, nenhum outro mais passou por lá. Nem Jânio, nem Jango, nenhum dos militares, nem Sarney, nem Collor, nem Itamar, muito menos FHC, Lula, Dilma e Temer. Ninguém mais se atreveu a ir até lá. Em janeiro de 2015, a pá de cal foi jogada e o Museu Nacional foi fechado por falta de verbas (R$ 520 mil), a qual não recebia mais desde novembro de 2014.
A negligência é de décadas. Ninguém fez nada. Obras faraônicas pra receber eventos internacionais foram priorizadas e a verdadeira história do país foi relegada a segundo plano por décadas. De Jânio a Temer, passamos pelos anos de chumbo, voltamos a era democrática, e a nossa verdadeira história continuava sendo esquecida. O investimento cada vez menor, cada vez sendo menos priorizado. Cada vez sendo guardado na poeira do esquecimento. Até o dia em que ficará guardado na nossa memória, nas cinzas sobre os escombros escaldantes. Até o dia em que não nos restará mais memória devido a idade. Até o dia em que nada mais existirá para nossos sucessores que aqui continuarão.
