Solitude Suíte

Suave, coisa alguma. Olhos forjados. Uma máscara, couraça. De cinismo e paixão. Sento e observo. Corpo que obedece ao repertório do desejo. Óculos. Cigarro. Coturno. Barba. Uma dose aguda de você. A embriaguez.

A pele, tela talhada por agulhas, cores submersas em camadas, profundeza. Não há música. Deslize, devagar, esquadrinhando meus gestos. Há certa reverência no ato de se despir. A voz, imperiosa, a crueldade do timbre, arranhando meus silêncios. Cada movimento, um lanho, enfim desvela, insano, o homem.

Lábios, pelos, ranhuras, onde me afundo. Obscena, espessa, é a tessitura do beijo, ininterrupto, o coito. Besta que fareja, mais perto, onde a solidão é mais selvagem. No coração, a fome é sempre a mesma.

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