
Nada pior para um coração sensível do que o maldito desprezo
Sobre decepções diárias, previsíveis e um pouco de Sharon Van Etten
O mundo das relações é extremamente complexo como a maioria de nós já adultos formados podemos perceber. Aliás, o que achamos que nos torna adultos se faz bastante controverso.
Nessa brincadeira de gostar e não gostar, de desejos e a troca de palavras o que se tem, na maior partes das vezes, é o maldito e ridículo jogo de cartas do querer e não querer alguém.
O discurso se confunde da prática das rápidas mensagens recheadas das bobas expectativas seguidas das decepções que de antemão já eram esperadas.
Tem um pouco de dor nessa coisa toda porque muitos de nossos corpos não se contentam ou esperam apenas suprir os anseios de uma carne desgastada e maltratada por outros episódios anteriores de doação de parte de si.
Basicamente você está de saco cheio. Saco cheio da energia gasta, dos tropeços, das desculpas esfarrapadas e tolas que você resolve ignorar porque acha que o problema sempre está em você.
O que sobra disso é um buraco de dor e você seguindo por mais um tempo descrente que o carinho nunca pode ser algo que você vai ter. Você não o merece e o que te sobra é o nada e o apego a coisas que não te preenchem por uma opção de escapismo da dor de enfrentar a si mesmo.
A Sharon apareceu como sugestão de uma dessas paixões que acontecem. Com certeza a coisa bonita que ficou de um momento de confusões e começo de descobertas.
Se eu pudesse classificar a Sharon Van Etten em algum estilo seria de “belas e tristes” E EU FINGIRIA SISTEMATICAMENTE QUE O FOLK NEM EXISTE. O álbuns proeminentes dela são o “Because I was In Love (2009)”, “Epic (2010)”, “Tramp (2012)”, “Are We There (2014)”.
Como não consigo escolher a música que mais gosto dela e sempre acredito que músicas fazem partes de processos da nossa vida eu vou deixando as belezas rasgadas dela por aqui.
