Nhoque de batata, uma história deliciosa

Uma coisa muito interessante na cozinha é a história dos pratos. Minha mãe as vezes conta a onde ela aprendeu a receita do almoço ou do jantar que está na mesa e com isso ela acaba contando um pedacinho da história de vida dela, trazendo um tempero a mais para as nossas refeições.

Foi pensando nesse tempero que resolvi contar um pouco da história do nhoque ou gnocchi, nascido na guerra, pelas mãos engenhosas das mães italianas.

Senta que lá vem a história

Ao longo da história da Itália, a penúria dos períodos de guerra deixou heranças até na cozinha: diante da escassez de ingredientes, as mammas exercitaram sua criatividade e criaram receitas que se tornaram clássicos da culinária. O nhoque se enquadra na categoria. Embora os historiadores não consigam precisar o momento exato, sabe-se que o primeiro prato de nhoque foi produzido até o século 17. Segundo Sílvio Lancellotti, autor de O livro da cozinha clássica, a farinha de trigo, racionada, não faltava na despensa dos ricos, que continuaram a cozinhar suas massas. Já os pobres precisaram inventar um jeito de transformar o pão velho na pasta nossa de cada dia — ralado ou moído, o pão era misturado com um tantinho de farinha e água quente. A massa era modelada em cilindros e cortada em toquinhos, que depois eram cozidos em água ou em um caldo de vegetais e ossos de galinha. E não é que ficava bom? Com o tempo, até os ricos copiaram a ideia. A batata foi a última a entrar na história, pois chegou à Europa no século 18.

Hoje, cada região da Itália tem sua versão de gnocchi (a grafia em italiano). Há receitas com ovos, com farinha de castanhas e ainda preparações doces. 
Os nomes variam, cavatelli e pisarei, em formato de conchinha, às vezes com ranhuras feitas numa tábua própria.

E o ritual do nhoque da sorte, como surgiu? 
Dizem que, num certo dia 29, São Pantaleão chegou a um vilarejo e pediu comida a uma família pobre. O anfitrião dividiu a parca refeição com o santo e cada pessoa comeu apenas sete bolinhas de nhoque. Após as despedidas, os donos da casa encontraram moedas de ouro sob os pratos, daí nasceu o costume de se colocar uma nota ou moeda embaixo do prato de nhoque no dia 29, para atrair fortuna. Os fatos históricos, que pena, tiram um pouco do encanto da simpatia. São Pantaleão viveu entre os séculos 3 e 4, muito antes, portanto, de o próprio nhoque ter sido inventado. Seja como for, a história é bonita e a receita é deliciosa.

Ingredientes

1 kg de batata
Sal
2 ovos
1 xícaras (chá) de farinha de trigo
Farinha de trigo para polvilhar

Modo de preparo

Coloque as batatas numa panela grande e junte água até uns 2 cm acima da batata.
Acrescente sal a gosto.
Tampe a panela e leve ao fogo alto.
Diminua o fogo quando levantar fervura.
Deixe cozinhar.
Quando as batatas estiverem macias, tire do fogo e escorra.
Descasque-as e passe pelo espremedor ainda quentes.
Bata ligeiramente os ovos e misture ao purê de batata.
Acrescente a farinha e amasse delicadamente até que fiquem tudo bem misturado.
Divida a massa em porções de 1,5 cm de diâmetro, sobre uma superfície enfarinhada.
Corte nhoques de 2 cm de comprimento e vá arrumando-os sobre bandejas forradas com guardanapos também polvilhadas com farinha.
Cozinhe os nhoques aos punhados numa panela com bastante água e sal.
Quando subirem à superfície, retire-os com uma escumadeira e escorra bem.
Sirva com molho de sua preferência e polvilhe com queijo parmesão ralado.

Bon appétit :)

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