verde e azul

eu e ele no carro. O silêncio na subida da serra, freios constantes, o nosso molejo a cada curva, eram interrompidos somente pelo canto dos pássaros. E só eles dialogavam. Meus melhores papos com o papai eram também os em silêncio. A conversa abstrata em que nos envolvíamos era sempre acompanhada de um contexto externo tão espiritual, que não havia a necessidade do acréscimo de palavras. Olhares sempre atentos, o dele na estrada, o meu na janela.
Verde e azul. Nenhuma linha, apenas curvas, as que ele parecia saber de olhos fechados o momento de virar a direção. 30 anos fazendo o mesmo percurso silencioso, às vezes no inverno, coberto pela neblina. Os olhos serenos e vigilantes, desenhavam o trajeto de costume. Estávamos indo pra casa.

- Pai, podemos parar aqui pra eu fotografar aquelas flores?
- Porque estas flores são tão importantes pra você, Palloma? Responda não, eu paro. Vamo.