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O PALMEIRAS APRENDEU A SOFRER. RESTA APRENDER A CONTROLAR

Histórico. Sem discussões, o jogo contra o Peñarol já está numa lista ao lado de duelos contra Colo Colo, Sport, Boca Juniors (1994) e tantos outros jogos de fase de grupos de libertadores que jamais sairão do imaginário coletivo alviverde. Isso posto, precisamos enfatizar: NÃO PRECISAVA — NÃO DEVERIA — TER SIDO ASSIM.

Agora você pode imaginar que eu vá começar falando dos gols perdidos e que é isso que precisa mudar para o Palmeiras parar de passar sufoco na Libertadores. Não exatamente. O Palmeiras perdeu muitos gols, e dois são daqueles que não se pode perder (o pênalti de Borja e o travessão de Willian — que não isento da culpa, mas ressalto o quique CRUEL da bola um centésimo antes do que seria uma chapada tranquila pro gol). Só que este também é um sintoma, e não a causa do sofrimento. Vez ou outra, times que criam muito, vão errar mais que acertar.

O Palmeiras perdeu muitos gols por criar muitas chances e por ser uma equipe extremamente superior. Assim sendo, sempre que focar suas atenções em jogar futebol terá imensas chances de ser muito melhor que seu adversário. O problema — finalmente chegamos nele — é que isso pouco aconteceu nessa edição da Libertadores. Desde que chegou, o excelente Eduardo Baptista tem enfatizado a diferença da Libertadores e a necessidade de uma postura mais firme da equipe. O cerne da questão é que há uma linha tênue entre estar sempre ligado e jogar pilhado — o Palmeiras tem escolhido o segundo caminho. E a pilha SEMPRE vai favorecer quem não tem bola e não quer jogo — Tucumán, Wilstermann, Peñarol.

Os jogadores de Jorge Wilstermann e Peñarol começaram a bater desde cedo — faltas mais duras que as dos atletas palmeirenses. Mas as faltas dos adversários eram sempre beirando a risca lateral, no meio de campo, no começo da jogada. Um anti jogo consciente — nada ético mas muito eficiente. Ao contrário, os palmeirenses não aceitavam perder a bola e na busca por uma recuperação rápida faziam faltas bobas, e, geralmente num trança pernas em buscas de bolas inalcançáveis, derrubavam o adversário — que demorava, no mínimo, quarenta segundos para cobrar a infração.

E a cada vez que isso se repetia a irritação dos palmeirenses aumentava. Aos 30 minutos de jogo, o Palmeiras se igualava em faltas ao Peñarol em mais uma tentativa de recuperação desnecessária de Dudu, que propiciou aos uruguaios alçar a bola na área. Daí Felipe Melo deu um bico para escanteio — Dudu e Felipe Melo ficaram discutindo e de repente, 1 a 0 para os aurinegros.

Dudu e Felipe Melo, assim como a maior parte do time, fizeram excelentes partidas e não se trata aqui de crucificar jogador x ou y por cada frame dos lances em que o Palmeiras levou os dois gols. A questão é de mentalidade coletiva. Antes mesmo da cera e da catimba terem começado, o Palmeiras já estava irritado com a cera e a catimba. E se você demonstra impaciência e senso de urgência com menos de dez minutos jogados, você mostra pro seu adversário — e pro juiz, o maior catimbeiro da noite — que está desestabilizado.

De forma sucinta: o Palmeiras foi um dos responsáveis pelo show de horrores e anti futebol que vimos nesta quarta-feira. Não adianta chorar depois de derramar o leite; tampouco adianta sofrer antes de saber se o leite vai cair. O Palmeiras aprendeu a sofrer e tem o melhor time possível para controlar qualquer jogo na América do Sul. Resta aprender a controlar.