#1

deixa eu colocar as cartas pra você, ele disse quando eu estava desmanchando. naquele momento aceitaria qualquer conforto, a cética de tudo só queria abraço. era a forma dele me abraçar. eu não cortei o baralho, não olhei nos olhos azuis pra perguntar nada. a cada frase eu chorava e me convencia, era a primeira vez. tantas primeiras vezes desaguando ali.

#2

o postal é um tipo de carta? cartão meio aberto. tem que ter coragem pra escrever. pensei naquele projeto, pensei: imagina escrever um término? em postais só cabem amor e saudades? recebi um que viajou tanto e foi espalhando amor pelos continentes, melhorou meu dia. engraçada é a falta, meu amorzinho desenhou meu cabelinho e o dela, essa língua portuguesa tem que ser criança pra trocar o éle pelo u no voltar mas que lindo isso, afinal: som, fonema. amor e saudade. “eu gosto do porto mas quero vo(u)ltar”. mas se eu pedi amor e a dobrada à moda do porto fria etc. eu também, clarinha, eu também. porto e cais e mar adentro.

#3

cortei o deck e dessa vez eram olhos escuros me olhando. os olhos escuros que os olhos azuis veem todos os dias. cortei em três passado presente futuro tudo é presente santo agostinho que merda é essa não quero saber não quero saber já tava tudo bem tá tudo bem. mas foi lindo e cortante e eu que amo rituais pude tocar as obviedades ditas enquadradas bonitas essas imagens. é forte meu confessor, é cigano. deixa eu colocar as cartas pra você. me abraçou. quero ficar

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