É FRIO POR DENTRO

É frio por dentro. Não me recordo da sua pele, e a maciez se perde… É frio, e não lembro dos teus lábios, dos teus silêncios demorados. Como era querer sem temer? Como era querer e querer, precisar sem precisar? Como era te ver? Não me recordo da tua mão tocando a minha, é memória aflita, devaneada e apagada. Deu vontade de fugir pela janela, deu medo de te ver, deu medo de lembrar da ociosidade dos calores, do impasse, do sorriso amarelado, dos eixos instáveis. Deu vontade de te ter, e deu vontade de te deixar com asas audaciosas. Deu vontade de te ver em outro mundo. Longe, embora paralelamente ao meu. E, sentir teu hálito pelas brechas do destino; destemer. Mas, ainda é frio, e do meu calor, viver.