Mito da Beleza

Definição da palavra mito segundo o aurélio: coisa ou pessoa que não existe mas se supõe real; coisa só possível por hipótese. Ou seja, coisa que não existe.

Sofremos e buscamos algo que não existe a não ser na fantasia.

O corpo antigamente era apenas a nossa morada. Não poderia ser cultuado mais do que a alma. O centro das atenções era o nosso interior. Hoje em dia vivemos um vazio por dentro que faz com que o culto ao exterior seja a única verdade e assim hipervalorizado.

Ta, ok, não vivemos mais na época de Aristóteles e Platão mas a situação atual do padrão de beleza se tornou ridícula e opressora gerando questões sérias como anorexia, bulimia e vigorexia.

Mas quem é o fdp que cria o padrão? Ninguém. Ele é formado a partir do reflexo do que está acontecendo na sociedade naquele momento.

Por exemplo, no séc XV quando o Cristianismo tava bombando o ideal de beleza era divino, rosto angelical, lábios pequenos, cabelos loiros. Já no século seguinte a fertilidade mandava, formas arredondadas e a magreza era associada à doença e pobreza, até porque só a elite tinha acesso ao açúcar. Mais pra cá na 1ª e 2ª guerra mundial, mulheres trabalhando e indo para o trampo de bike o padrão se tornou mais magro.

Na década de 80 as magrelas profissionais que eram chamadas de manequins se tornaram modelos. Modelo de corpo, comportamento e beleza. (Afff)

2015. Tempos de tecnologia e consumo desenfreado. Você pode comprar o corpo que quer através de cirurgias e hormônios. Ainda assim, caso não esteja satisfeito, pode retocá-lo com inúmeros filtros e programas.

Não venho por meio deste texto fazer a recalcada, longe disso. Mas sei o quanto é sofrida a neura pelo ideal de beleza. Acordar pensando no que comeu ontem e o que comerá hoje para compensar.

Desperdício de tempo.

Mulheres sofrem há mais tempo deste mal. Existe um setor no Hospital das Clínicas que cuida de pessoas com transtornos alimentares e apenas de 2 anos para cá foi criada a ala masculina para tratamento.

Pois bem. Mulheres fortes queimaram o sutiã no passado para nos tornarmos seres ativos na sociedade e fazermos o que tivermos vontade. Pra que, me fala? Inventamos outra prisão, o próprio corpo, que devia ser algo para uso de um imenso prazer. Mas não, tem que esmagar pra crescer.

Mulheres escravizando mulheres. É isso que nos tornamos. É tanto tempo na academia e preparando marmita que não dá pra programar outra coisa. E acho que graças à isso não temos tantas mulheres em cargos públicos ou líderes ativistas. Quando tem são um esteriótipo de sapatão.

A juventude me assusta muito. Conheço meninas lindas de 12, 13 anos já alisando o cabelo e se achando gordas.

O problema do padrão é que ele automaticamente exclui alguém. Se o padrão for gordo, magros estão de fora, se o padrão for velho, jovens fora. Esses dias li que nos EUA o tom de pele da Beyonce é o ideal para negras.

Pelamor de Deus!

Ser infeliz com o próprio corpo é uma das coisas mais tristes que existe. Condicionar felicidade, um novo cargo, um boy ao próprio corpo é a maior loucura já feita. Aquela velha sentença“quando eu emagrecer…”

Não me excluo, vivi o inferno com isso até pouco tempo. Mas se aceitar é libertador. O espaço que surge na sua mente para novas idéias e ideais é mágico. E na moral, é disso que o mundo precisa, gente com gás pra fazer diferente.

Gente unida pra fazer diferente.

Sabe quando você olha o “seguindo” do instagram e se depara com aquele boy curtindo inúmeras fotos das gatas de biquíni? Não entra numas de “tenho que malhar mais”. Põe uma música que você ama e curte a vibe. Não vale a pena nem xingar a gata. Sempre haverão mulheres mais lindas. Se liberta, vai ser feliz, não inveje. Faz um blog, kkk!

O padrão muda, você continua.

Obrigada por ler.