A cultura do cuidado e a ressignificação da publicidade

Não basta só comunicar. O despertar do consumidor exige muito mais do profissional de comunicação.

(Photo by Imre Tömösvári on Unsplash)

“Assim eu juro”. Foram as palavras que saíram da minha boca em 2015, ainda sem compreender que a partir daquele momento, teria comigo a grande responsabilidade de exercer uma profissão com consciência e responsabilidade. E, além disso, comprometendo-me a utilizar as técnicas de comunicação com o objetivo de desenvolver a nossa sociedade, pautando-me pela verdade e honestidade.

E se ficasse assim:

Algum tempo depois, entendi. E tudo começou com a mudança do consumidor. Sem dúvidas, um tema constantemente repetido na introdução de aulas, palestras e textos e não é à toa. Se não fosse por um detalhe bem significativo, isso não estaria tão evidente: grana. Dinheiro. Bufunfa. Essa mudança mexe no nosso bolso, traz grandes consequências em aspectos econômicos, já que, com novos hábitos de consumo, o mercado se vê forçado a adaptar-se.

Vemos cada vez mais um consumidor atento, que exige transparência das marcas e prioriza modelos de negócio com boas práticas socioambientais. A moda agora é trocar, reutilizar, compartilhar, doar. Novos tipos de economia começam a ganhar destaque, como a solidária, compartilhada, colaborativa e circular que chegam como alternativas para sustentar o nosso atual sistema econômico.

Em resposta, movimentos como Fashion Revolution aparecem, ganham destaque marcas comprometidas em gerar menos impacto negativo para o mundo e ainda há aquelas que já nasceram com o DNA de cuidado, como a Natura, que faz um bom trabalho no quesito transparência, com atitudes de expor em seu e-commerce uma tabela ambiental com diversas informações referente aos seus produtos.

Consumidor mudando e marcas querendo ganhar a sua simpatia. É aqui que aparecem os desafios. E é aqui, também, que eu e você entramos nessa história. As marcas vão procurá-lo, caro futuro profissional de comunicação, para que você as auxilie a mostrar para o mundo o quão são boazinhas com o meio ambiente — mas, na verdade, não são.

Temos um problema quando marcas procuram tratar a sustentabilidade como uma questão apenas de comunicação e entre target, brainstorm, insight, surge o termo greenwashing para denominar a comunicação que se utiliza de estratégias verdes para tentar ganhar o coração do consumidor.

Infelizmente, ainda existe a ideia de que a publicidade serve para criar o desejo e despertar necessidades inexistentes (Deus me livre uma definição tão rasa do meu trabalho!). Foi-se o tempo em que se convencia com poucas palavras e um layout bonito. Se antes a publicidade existia apenas para isso, hoje ela precisa auxiliar as empresas a criarem conexões mais positivas, verdadeiras e transparentes.

Em épocas de transição, com uma sociedade que questiona cada vez mais o consumo excessivo e se preocupa com a escassez de recursos, pensar que o nosso papel se restringe a comunicar qualquer coisa a qualquer custo, é não identificar o potencial do comunicador na nova era. Não podemos nos permitir focar apenas no discurso, mas sim na ação. Encontrar soluções lado a lado com os clientes, buscando progressivamente uma comunicação honesta.

Por aqui, o meu galo vai cantar apenas a verdade. Você está preparado para assumir o compromisso do seu juramento? Vou amar se você quiser me acompanhar.


Texto originalmente publicado na revista do curso de Comunicação Social — Publicidade e Propaganda da UNOESC (Universidade do Oeste de Santa Catarina).