Top 5 livros que marcaram infância

Eu demorei bastante pra escrever este post, por isso fiquei um pouco sumida por aqui. Fiz com todo o carinho, porque os livros que a gente lê na infância ocupam um lugar especial no coração. O post ficou um pouco longo porque quis dar detalhes de cada um dos livros que escolhi para a lista.

Gostaria muito que comentassem aqui mesmo no blog, no Facebook ou Twitter, quais livros marcaram a infância de vocês. Sei que deixei muita coisa boa de fora! ☺

Meu gosto pela leitura começou quando eu era criança, mas eu não lembro com qual idade. Também não me lembro qual foi o primeiro livro que eu li — apesar de lembrar que um dos primeiros livros que tive foi Memórias da Emília, do Monteiro Lobato. Eu não cheguei a ler porque na época era uma leitura longa pra minha idade, mas as figuras eram legais. Aliás, nunca li nenhum livro do Monteiro Lobato inteiro, apesar de ter lido vários trechos de Emília no País da Gramática na faculdade, rs! Shame on me. É por isso que nenhum aparece no meu top 5, vou logo explicando.

Foi minha mãe quem sempre me incentivou bastante a ler. Um dos programas que eu mais gostava de fazer era ir à Bienal do Livro com ela. Eu sempre tinha direito a escolher uns 2 ou 3 livros e isso era a festa pra mim (obrigada mãe! ❤ )

Outra coisa que eu adorava era fazer uma cabaninha em nosso sofá cama e ficar lendo com um abajur que pegava emprestado da minha tia. Eu podia ficar o dia inteiro nesta cabana lendo sem parar por vários dias das férias. Era muito legal!

Eu ainda guardo praticamente todos os meus livros infantis. Resolvi então fazer um flashback aqui no blog e falar dos meus 5 livros de infância favoritos de todos os tempos. Não tem uma ordem, mas são definitivamente os melhores que li quando criança.

#1 — Grimble — Clement Freud

Não conheço muitas pessoas que leram este livro quando eram crianças e é uma PENA mesmo. O meu livro didático de Português da 6ª série tinha umas dicas de leitura, e essa era uma delas. Quando a Bienal do Livro estava chegando eu peguei algumas dicas e levei uma listinha pra ver se minha mãe comprava algum deles quando fôssemos ao evento. E foi assim que este livro maravilhoso caiu em minhas mãos.

Grimble é um garoto inglês de mais ou menos 10 anos. Isso mesmo, mais ou menos 10 anos! A família do menino é tão atrapalhada (pra não dizer relapsa) que nem sabe ao certo quantos anos exatamente Grimble tem.

Seus pais simplesmente viajam para o Brasil (vi que na verdade no original eles vão ao Peru), e o deixam sozinho em casa por uma semana. Que pais em sã consciência fazem isto!? Hahaha…

Só que o Grimble não é um garoto tonto, ele sabe se virar muito bem. Penso que a grande sacada deste livro é a seguinte: todos os personagens, o tempo todo, só se comunicam com Grimble por bilhetes e telegramas — que são pra lá de hilários!

Quando seus pais viajam eles deixam algumas instruções para o garoto poder ao menos comer enquanto não retornam para casa. A cada dia da semana ele vai na casa de um amigo, vizinho ou parente, indicado por seus pais. Mas ele sempre encontra essas casas vazias e mais bilhetes com instruções. Uma das casas que eu mais adorava era a da tia Percy, porque tudo dela era cor-de-burro-quando-foge — eu via a maior graça nisso quando era pequena!

Com a ajuda dos bilhetes e outros textos como de jornais e placas, Grimble consegue até mesmo cozinhar sozinho, e a semana dele dá super certo sem os pais — apesar de ele sentir muita falta deles.

Tem como não amar? ❤

O livro foi publicado em 1968, e seu autor, Clement Freud, era neto de Sigmund Freud, o tão famoso pai da psicanálise. Descobri na Wikipedia enquando escrevia este post que Grimble é citado por J. K. Rowling e Neil Gaiman como sendo um de seus livros favoritos! Bom, é um dos meus também. ☺

#2 — O Menino Maluquinho — Ziraldo

Bom, o que eu não li de Monteiro Lobato, li de Ziraldo. Eu lia repetidamente O Menino Maluquinho, achava o máximo O Menino Marrom (que eu não achei na minha estante) e ria muito com as Anedotinhas do Bichinho da Maçã. Sério, sempre adorei o trabalho do Ziraldo. Nem acreditei quando eu fui uma vez na Bienal do Livro e era o lançamento de Tantas Tias. Minha mãe comprou, nós pegamos uma fila imensa e ele autografou o meu livro!!! Ele meio que errou meu nome, que tem “LL”, mas tudo bem porque ele é o Ziraldo, e o Ziraldo é o cara.

Bom, o caso deste livro é exatamente o contrário de Grimble. Não conheço ninguém que não tenha lido O Menino Maluquinho quando era criança, ou depois de adulto com um filho ou sei lá. Pelo menos o filme as pessoas conhecem. Não tem como não conhecer o Ziraldo…

O Menino Maluquinho foi publicado em 1980. Conta a história e traquinagens (alguém usa essa palavra? Hehehe…) da infância de um menino muito “maluquinho”. O livro tem grandes figuras que ocupam a página toda, e textos bem curtos, o que facilita a leitura de crianças bem pequenas. Eu reli muitas vezes quando criança justamente porque era muito fácil e rápido — além de divertido!

Um destaque pra mim é sem dúvida o caderno do Menino Maluquinho. Eu nunca vou conseguir olhar para o Pedro Álvares Cabral de touca e não rir; não tem como! E o versinho? É muito amor gente, não dá ❤

O único porém é que o final eu acho MUITO triste. Tudo bem que ele virou um cara legal e tudo o mais. Mas quando o Ziraldo fala que ele não conseguiu vencer o tempo, eu choro. Sério, podem achar exagero mas eu acho muito triste quando o Menino Maluquinho cresce. ☹

Eu choro lendo o livro e choro mais ainda assistindo ao filme! O Menino Maluquinho ganhou uma adaptação para o cinema em 1995 (tem no Netflix se quiserem ver/rever!). O filme ficou sensacional! Apesar de o livro ter muito pouco texto, o que poderia dificultar a elaboração de um roteiro extenso, eles foram magistrais. Conseguiram captar a essência do livro, de um menino feliz, engraçado, arteiro, com toques de drama na medida. Além disso, o Samuel Costa ficou perfeito no papel; as crianças atuaram todas muito bem. Eu AMO. Eu tento me fazer de durona, mas este filme me faz chorar mesmo. Aqui tem um vídeo com o tema do filme, composto e interpretado pelo Milton Nascimento.

Vida de moleque é vida boa Vida de menino é maluquinha É bente-altas, rouba bandeira Tudo que é bom é brincadeira

Eu soube só quando estava escrevendo este post que foram produzidos ainda o filme O Menino Maluquinho 2 (1997), uma série de TV (de 2005 e na qual o Menino Maluquinho obviamente já não é interpretado mais pelo Samuel Costa) e um documentário sobre os 30 anos do livro, chamado Ele era um menino feliz.

Quem sabe um dia eu consigo assistir tudo isso e fazer um post mais aprofundado só sobre este livro! Vamos ver… ;)

#3 — O Menino no Espelho — Fernando Sabino

– Você quer conhecer o segredo de ser um menino feliz para o resto da sua vida? — Quero — respondi O segredo se resumia em três palavras, que ele pronunciou com intensidade, mãos nos meus ombros, e olhos nos meus olhos: — Pense nos outros.

Aqui vai outro livro sobre infância de menino que vale muito a pena ler. Só que O Menino no Espelho já é um livro infantojuvenil. O autor é o brasileiro Fernando Sabino, que escreveu também O Encontro Marcado e O Grande Mentecapto (obras famosas que confesso que não li).

Encontrei este livro na estante em casa; ele era da minha mãe. Por um acaso resolvi pegar pra ler e me apaixonei. O Menino no Espelho foi publicado em 1982 e narra as aventuras do menino Fernando. Seria mais autobiográfico se não fosse tão fantasioso! O mais legal das histórias narradas é que o menino tem uma imaginação pra lá de fértil, só que ele apresenta os fatos como se tivessem acontecido de verdade, e com a maior naturalidade do mundo!

Só para citar algumas coisas geniais que se passam com ele: um dia ele acorda com o poder de realizar “milagres”, e tudo o que ele deseja se torna realidade. Um de seus desejos foi transformar um tanque de areia em uma piscina com um túnel de acesso a um esconderijo super secreto (e maneiro!). Outro dia ele consegue voar. Em outro, consegue um duplo saído do espelho (daí o nome do livro), que toma o seu lugar principalmente em tarefas chatas que não deseja fazer (tomar remédio, frequentar algumas aulas).

O Fernando também tem uma grande amiga, a Mariana. Juntos eles fundam um departamento de espionagem chamado “Olho de Gato” e brincam de resolver mistérios pelo bairro e em suas casas. Quando criança achava essa sociedade deles o máximo — principalmente o fato de que seus nomes secretos eram simplesmente seus nomes verdadeiros ao contrário.

Logo no começo o Fernando já me conquistou, ao empreender enorme esforço para salvar uma pobre galinha da panela. A galinha, depois chamada Fernanda, passou a ser animal de estimação do menino até morrer de velha e ser substituída por um coelho (que junto com um cachorro faziam parte do grupo de agentes secretos!).

O Fernando infelizmente também cresce — e eu sempre vou achar isso triste! Mas, pra não sair do clima de fantasia do livro, Fernando Sabino promove um encontro muito bonito do menino com o homem, e do homem com o menino (primeiro e último capítulos do livro).

No ano passado, O Menino no Espelho também ganhou uma adaptação para o cinema, mas ao contrário do filme do Menino Maluquinho, achei este muito, muito fraco. No começo, quando vi o menino construindo o próprio avião, fiquei super empolgada achando que ia ser o máximo.

Acontece que o filme não explora praticamente nenhum dos elementos fantasiosos da história, que são os mais legais! Transformaram o Fernando em um mero menino arteiro, e com pais super chatos — eles não são assim no livro! Há na verdade um enfoque desnecessário nas broncas que ele leva dos pais. E a única coisa mais fantasiosa que sobrou foi o duplo saído do espelho. Mesmo assim, eles mudaram muito a história original, e eu tenho muitas ressalvas quando fazem isso. Ressalvas = detesto! Hehehe…

O ator que interpreta o Fernando é o Lino Facioli, que ficou famoso por interpretar o Robin Arryn na série Game of Thrones da HBO (sim, tem um brasileiro na série!). Mas eu particularmente não curti muito ele no papel de Fernando. Vejam o trailer:

Não se enganem, o filme não tem tanto a ver com o livro quando parece. Leiam o livro que é muito melhor! :P

#4 — A Bolsa Amarela — Lygia Bojunga Nunes

Chega dos meninos! A Bolsa Amarela é um livro simplesmente sensacional, e sua personagem principal é uma menina, a Raquel. O livro é de 1976 e foi escrito pela brasileira Lygia Bojunga Nunes. Ela recebeu uma série de prêmios por seus livros, sendo a primeira escritora fora do eixo Europa-EUA a receber a medalha Hans Christian Andersen, uma espécie de Nobel literário para obras infanto-juvenis.

Este foi outro achado no armário de livros da minha mãe. Eu pirei tanto nesta história que peguei uma bolsa velha em casa e enchi de tralhas, só pra tentar ter uma bolsa tão maneira quanto a da Raquel.

A Raquel é uma menina um pouco infeliz com ela mesma. Ela começa falando que tem três vontades muito grandes com as quais ela tem dificuldade de lidar. São elas: a vontade de escrever, a vontade de crescer, e a vontade de ser menino. Essa última vontade de certa forma traz ao livro o tema do feminismo de uma maneira muito legal.

A Raquel quer ser escritora, mas quando começa a inventar personagens e histórias, os pais dela e seus irmãos mais velhos zombam dela ao invés de incentivá-la. Além disso, como ela é a irmã caçula, ela sente que se fosse mais velha teria mais liberdade de fazer as coisas que têm vontade; as pessoas de sua casa vivem deixando a menina de lado com a desculpa de que ela ainda é “criança demais”. Por último, sofre com o fato de querer fazer coisas que todos ao redor dizem ser “coisa de menino” — como soltar pipa por exemplo.

Então um belo dia a Raquel ganha uma bolsa velha e amarela e resolve guardar essas vontades importantes na bolsa, além de alguns objetos e amigos imaginários (uma guarda-chuva, um alfinete de fralda e um galo que fugiu do galinheiro porque não queria liderar as galinhas). Todos passam a morar em sua bolsa. O problema é que quando suas vontades crescem, a bolsa pesa muito e fica cada vez mais difícil de carregar.

O livro na verdade vai contar a busca da Raquel pela liberdade de ser quem ela é, até que suas vontades vão ficando “magrinhas” até sumir. Porque ela vai descobrir que no fundo até que é legal ser criança, e que é legal sim ser menina (além de não existir de verdade isso de “coisa de menino”). E que não precisa desistir do que gosta — escrever — por conta da falta de incentivo dos outros. No final não importa o que os outros pensam, temos que ser nós mesmos e acima de tudo felizes. ❤

Eu achei esse vídeo bem bacana da Nova Escola no Youtube em que a Eva Furnari indica o livro e fala um pouco sobre ele — muito fofa!

Daí eu não ter achado Frozen lá grandes coisas. A Raquel já arrasava muito na ideia do let it go desde os anos 70. :P

#5 — Dicionário de Humor Infantil — Pedro Bloch

Esse livro eu acho que minha mãe comprou pra mim na mesma ocasião em que comprou o Grimble. Foi um livro que eu também peguei indicação na escola. O Pedro Bloch era médico e reuniu uma série de coisas engraçadas que as crianças falam com base em sua convivência com seus pacientes.

Com esse material ele criou um dicionário, com definições dadas por crianças, que são poéticas e cheias de humor. Assim surgiu o Dicionário de Humor Infantil.

Na verdade eu acho que não é um livro só para crianças. Eu acredito que muitos adultos vão achar muito legal lê-lo — até mais do que as crianças! Eu já tinha uns 12 ou 13 anos quando li — ainda era criança — mas achava legal o que as crianças do livro tinham dito sobre as coisas. Não sei se um dia já fui tão criativa quanto os pacientes do Pedro Bloch!

Seguem algumas definições para vocês terem ideia do teor do livro:

ALEGRIA — É passarinho no coração da gente AMAR — É querer tanto uma pessoa, mas tanto, que parece até sorvete. Você não para. Quanto mais come, mais quer. CABRAL — Antes de chegar ao Brasil, Cabral viu um monte. Um monte de índios. CAMELO — É um bicho que tem duas mochilas. Dromedário só tem uma. Eu não tenho nenhuma porque papai ainda não comprou. DEVER — Não vou fazer. A professora só deu dever de casa. Eu moro em apartamento.

E por aí vai…

Bom, eu realmente me alonguei bastante. Espero que tenham gostado! Não deixem de me contar quais os livros marcaram a infância de vocês. O próximo post também vai ter tema infantil e já está no forno. Vai ser de certa forma meio oposto a este! Até lá!

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Originally published at exlibris42.wordpress.com on April 6, 2015.

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