Hoje eu lembrei do seu apartamento

Dois anos desde a última vez que perdi o fôlego subindo aqueles três lances de escada.

Dois anos que não reclamo de tirar o sapato na soleira da tua porta.

Que eu não piso no teu chão quente e sinto a madeira que pegava fogo de tanto pegar sol.

Dois anos que a gente não cozinha o almoço bebendo vinho barato.

Que não grito teu nome no meio da rua às quatro da tarde.

Que não vejo teu sorriso envergonhado na varanda.

Dois anos que não te encontro no pé da escadaria no Centro.

Que não peço desculpa pelo atraso.

Que não boto a culpa no meu brazilian time.

Dois anos que a gente não abraça o cachorro do nosso bar preferido.

Que não fazemos amizade com qualquer um na fila do banheiro pra conseguir sentar numa mesa.

Dois anos que os novos amigos não pagam a bebida.

Que a gente não volta pra casa dançando o caminho inteiro.

Dois anos da foto cheia de tristeza e ressaca no táxi pra rodoviária.

Do silêncio naquele banco de madeira quente igual o teu chão.

Do adeus pela janela do ônibus.

Do choro solitário ao cruzar a nossa esquina.

Dois anos que não somos mais dois.


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