Playoffs Preview: Conferência Oeste

Houston Rockets (3º) x Oklahoma City Thunder (6º)

O confronto entre o terceiro e o sexto colocado do Oeste é também o confronto entre os dois principais candidatos a MVP. Por tudo que foi demonstrado na temporada regular, esse confronto deve ser equilibrado apenas no nível de basquete apresentado por seus franchise players, pois o Houston Rockets, que segundo as projeções estaria abaixo do Oklahoma City Thunder, foi uma equipe bem melhor que aquela comandada por Russell Westbrook, novo recordista de triple-doubles em uma temporada. Caso queira vencer a série, o Thunder vai necessitar que Russell Westbrook não seja apenas um homem-recorde, mas um líder para que assim a equipe possa fazer frente ao Rockets, caso contrário o Rockets deve passar com tranquilidade.

James Harden (HOU) e Russell Westbrook (OKC), ex-coadjuvantes de Kevin Durant, hoje duelam pelo prêmio de MVP. (BoxScoreGeeks)

Após uma temporada bem fraca na última temporada, o Houston Rockets resolveu fazer algumas mudanças para a atual temporada, trouxe para o comando da equipe Mike D’Antoni, que desde o Phoenix Suns não fazia um bom trabalho, se desfez de Dwight Howard, Jason Terry, Josh Smith e também optou por não renovar com Terrence Jones. Decidido ficar, a equipe renovou com James Harden, trouxe Ryan Anderson e Eric Gordon que caíram bem na equipe, além do experiente pivô brasileiro Nenê Hilário, que também faz boa temporada. Com essas mudanças a equipe se tornou uma incógnita, ainda mais quando D’Antoni resolveu mudar James Harden de posição e alocá-lo como armador. Bem, para a surpresa de todos James Harden fez a melhor temporada de sua carreira, sendo líder de assistências da temporada, com média de 11,2 assistências por jogo (sendo o líder da equipe também em pontos e até em rebotes) e o Houston Rockets jogando bem, mantendo a regularidade por toda a temporada, fez a terceira melhor campanha do Oeste, contando ainda com a chegada de Lou Williams em fevereiro, que se tornou uma figura importante vindo do banco de reservas, sendo um grande candidato ao prêmio de melhor sexto homem. Uma demonstração da profundidade do elenco do Houston Rockets, é que 9 jogadores tem médias de pelo menos 9 pontos por jogo, se considerarmos o calouro Troy Williams, que jogou apenas 6 partidas, esse número sobe para 10 jogadores. E é isso que deve fazer a diferença nessa série, enquanto o Houston Rockets é uma equipe liderada por seu MVP, o Oklahoma City Thunder é uma equipe carregada por seu MVP, e com isso, o Houston Rockets são favoritos para a série e podem fazer jogo duro para San Antonio Spurs e Golden State Warriors, times que estão bem acima dos demais na Conferência Oeste, e quem sabe em toda a NBA.

Depois de perder seu grande astro, Kevin Durant, que escolheu juntar-se a Stephen Curry e cia, a equipe viu Russell Westbrook assumir o papel de protagonismo, e fazer isso com louvor. A equipe foi vice-campeã da Conferência Oeste na última temporada, chegando a estar vencendo a série por 3–1, mas acabou fraquejando e vendo não só a chance de chegar novamente as finais ir embora, como seu principal jogador, que em busca de um anel de campeão, acabou indo para o time que bateu a equipe de Oklahoma. Tendo que apostar todas suas fichas no craque remanescente, a equipe acabou montando uma equipe em volta de Russ e acabou negociando Serge Ibaka com o Orlando Magic, recebendo em volta o calouro Domantas Sabonis, filho do lendário Arvydas Sabonis, o jovem Victor Oladipo e de Ersan Ilyasova. Como era de se esperar, Westbrook desde o princípio da temporada mostrou que seria o dono da bola, e quiçá, isso seja o fator que impeça o Oklahoma City Thunder de ser mais equipe do que vem demonstrando. Com o jogo monopolizado nas mãos de Westbrook, fica difícil que outros jogadores venham evoluir ou mostrar algum talento, é até mesmo de se espantar, e não apenas louvar, que o armador da equipe (22 centímetros menor que o pivô), seja o líder em rebotes da equipe (Nos Playoffs de 2016, somente em 3 das 18 partidas Westbrook foi líder de rebotes da equipe, uma delas empatada com o próprio Adams, que liderou a equipe neste fundamento por 10 vezes). O basquete é um esporte coletivo, portanto, por mais que Westbrook faça uma temporada excepcional, é necessário que o Oklahoma City Thunder para pensar em se classificar contra o Houston Rockets seja muito mais que um time de um jogador só, é preciso se espelhar em San Antonio Spurs que nunca colocou nenhum de seus craques por acima da própria equipe, ou do próprio rival Houston Rockets, que teve um destaque individual muito grande, mas que em nenhum momento deixou de fazer com que os jogadores que o rodeassem tivesse uma importância ou do Cleveland Cavaliers, que quando inferior ao Golden State Warriors teve seu principal jogador não somente jogando em nível assombroso, como elevando todos ao seu redor, para que assim pudesse conquistar o seu primeiro campeonato. É difícil colocar a culpa dessa situação em um ou outro, ou apenas achar que se está minimizando o feito de Russell Westbrook, que tem méritos totais nisso, pois se fosse fácil, qualquer jogador bom em time ruim faria isso … mas quando se chega nos Playoffs e almeja algo, é preciso bem mais que isso. Mas o excelente treinador Billy Donovan, bicampeão universitário pela Universidade da Flórida nunca pode demonstrar no seu trabalho algo a mais que se esperava. Na temporada 2015–16 talvez por estar se adaptando ainda a NBA ou encontrando dificuldades, como em qualquer equipe, ou sentindo-se inibido pela sua principal estrela na atual temporada, porque é difícil que um técnico ainda recém chegado a Liga vá no principal jogador da equipe, fazendo praticamente um triple-double a cada jogo e diga — Não é assim que as coisas devem funcionar. É necessário respaldo da direção da equipe, e que ela creia no projeto que seu treinador tenha em mente. É preciso que o seu “triple-double player” tenha humildade em aceitar mudar seu jogo. É preciso muito mais do que o Oklahoma City Thunder demonstrou na temporada regular para vencer a série.