Quando se pede permissão ao ego ferido

Dançando comigo mesmo,

Sinto a ponta dos dedos gélidos do meu passado estremecer ao tocar a face ruborizada do meu ser atual.

Ao olhar para trás, vejo fotografias carregadas por um sentimento fúnebre demasiadamente belo aos olhos da minha juventude.

Gabriel, para onde você foi?

Vivendo com um espelho rachado dentro de si,

Refletindo sua imagem insegura,

Constantemente se amaldiçoando

Com o julgamento de olhos castanhos tão insensíveis.


Você se trancou em seu quarto escuro.

O mofo consome lentamente as paredes ao seu redor,

E você parece não se importar.

No concreto, poesias rasas transbordam como o fluido negro que existe dentro de você.

Você precisou transformar seus demônios de alguma forma

Antes que fosse consumido por eles.

Os tornou arte.

“Arte medíocre”

E mesmo assim, você continua a se apedrejar.


Gabriel,

isolar-se de si é um veneno que mata lentamente.

Pare de fugir de si, clamar por liberdade

Quando na verdade tudo que fazes

É negligenciar seu próprio coração.


Indivíduo de cara pálida,

Postura curvilínea e feição meiga,

Você semeou coragem em mim

Tornou possível o florescer de rosas em um terreno que por tanto tempo esteve repleto de espinhos.

Concederei-me ao futuro.

E ao amor que hoje carrego com sinceridade.


O passado que se mantenha registrado em fotos angustiadas.

Como cicatrizes, os demônios hão de conviver comigo. Não há outra alternativa.

Mas serão meus amigos: com eles aprenderei

E lhes ensinarei sobre a vida olhando diretamente em seus olhos.

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