Tempo NÃO(!) é dinheiro

Real, dólar, libra, peso, euro. Segundos, minutos, horas, dias, meses, anos. Um varia teu valor de cultura em cultura, o outro tem o mesmo caráter inflexível de valor. Um, muitos querem recuperar, ganhar mais, enquanto o outro gastam com frivolidades. Um é O tempo, fator inexorável, irrecuperável e não acumulável. O outro é apenas pedaço de papel e metal, mas — por incrível que pareça — sua valia é mais glorificada que a d’O tempo.

o sonho do imaginário coletivo

É natural numa sociedade, onde nossa vida e suas circunstâncias são mediadas pelas interações com o capital e o trabalho, o dinheiro ser o “ideal a ser alcançado” segundo o subjetivo coletivo da maioria da população. Faz-se tudo pela riqueza e tudo em prol da riqueza. A problemática dessa constatação são os indivíduos cada vez mais preocupados com o aumento da renda, de ganhar mais e mais dinheiro, em detrimento da qualidade com que aproveitam seu tempo.

E pode-se depreender de “qualidade com que aproveitam seu tempo” as atividades que proporcionam conhecimento, saúde, família. Não à toa saem aos montes estatísticas que comprovam que as pessoas de diferentes sociedades leem cada vez menos; que são menos saudáveis; que são pessoas cada vez mais incompreensíveis e ausentes; que, no geral, são menos felizes. Na maioria das vezes, é em detrimento de vidas cada vez mais centradas em torno do trabalho, do dinheiro, do consumo.

Esse conceito de “tempo é dinheiro”, isto é, que é preciso gastar todo o tempo almejando riqueza ou meios para detê-la — status quo capitalista — promove uma má qualidade de vida, uma vez que não importa a autopromoção pessoal, a felicidade nas coisas mundanas, o que importa é o que você faz no tempo e recursos que você tem para ganhar dinheiro.

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