Faltam-me palavras para descrever esse tudo-nada que sinto. Peço sinceras desculpas por não conseguir definir esse emaranhado de (falta de) sentimentos.
Eu sinto um nó na garganta e a minha mente se prende à coisas das quais não gosto de mencionar. Eu me sinto vazia, mas ao mesmo tempo lotada. Sou muito grande para pouco e muito pequena para muito e eu sinto muito por não sentir.
Tudo pode despertar essa prisão mental da qual me lamento. Pode ser de uma cena de filme a morte de alguém, passando por uma briga ou grosseria. Tudo.
Quando a tristeza vem descontrolada, eu não consigo gritar e as lágrimas jorram como um último pedido de socorro. Eu me agarro ao meu próprio corpo, na tentativa de me segurar, de não cair. Eu tento continuar aqui, mas já não sei aonde fui parar. Eu me perco dentro de mim.
Fantasmas do passado me atormentam e palavras que escutei há anos voltam a ecoar e eu estou presa na masmorra da minha (in)consciência. Eu consigo ouvir todos gritando ao mesmo tempo e eu não consigo gritar.
Se fechar os olhos, algumas cenas ainda se repetem na minha mente e eu consigo ver portas batendo e expressões de desapontamento. Eu consigo me ver chorando há uma década.
E, quando não aguento mais, peço ajuda. Me desculpa por pedir demais, mas é que fica insuportável. As pessoas me perguntam, preocupadas, o que eu sinto e eu não sei explicar. Alguns me dizem para parar de pensar nessas coisas que me entristecem, mas eu não consigo parar os meus pensamentos. Eu não consigo controlar todas essas coisas que me assombram.
Sobre sentimentos, já cheguei a sentir tudo e nada ao mesmo tempo. Enquanto os pensamentos me envadiam, eu não conseguia me mexer. O tudo justificava o nada e eu estava perdida e imóvel. A inércia me dominava de tal forma que eu não sentia vontade de mover uma parte sequer do meu corpo, eu não conseguia falar.
Eu espero que isso passe, mas não sei se tenho tanta esperança ou se é só uma performance para levar sentimentos bons a mim e aos que ainda se preocupam. Eu procuro algo que não me deixe afundar, estou fugindo de correntes. Eu não aguento mais me acorrentar. De todos os meus desejos, o maior é que eu consiga me livrar de tudo isso e que eu deixe de ser uma espectadora da minha vida.
Eu espero que fique tudo bem.
