A raça humana sabe dar o passo para evoluir, ou é pré-programada para se destruir?

Está no dicionário Houaiss: Cibernética. Substantivo feminino. Ciência que tem por objeto o estudo comparativo dos sistemas e mecanismos de controle automático, regulação e comunicação nos seres vivos e nas máquinas.

Dito desta forma parece extremamente simples, mas por trás destas 24 palavras existe um mundo novo em discussão que envolve todos os seres do planeta, mesmo que eles estejam aparentemente desligados dos problemas que já estão entre nós e os que estão por vir.

A cibernética existe desde 1942, mas teve seu grande salto nos anos 1960, quando o computador digital substituiu as obsoletas máquinas analógicas. Daí para a frente os avanços se deram, não mais em passos, mas em saltos.

Fonte: Dreamstime

Os modismos, celulares, tablets e outros, se impõem independentemente de gerações ou áreas de poder aquisitivo. As ferramentas se transformam em essencialidades às quais ninguém consegue abrir mão. Criou-se uma nova sociedade, cibernética, que evolui de forma mecanicista incontrolavelmente.

Mas os avanços cibernéticos não se limitam às tecnologias da comunicação, eles vão a todos os territórios humanos alterando a relação sujeito x objeto que durante anos balizou de forma clara quem se posicionava onde no campo da vida e da existência. O sujeito, humano, no comando e o objeto, inumano, na posição de comandado. Cada um ocupando seu espaço num mundo fácil de ser entendido pela clareza dos posicionamentos.

Fonte: Pedagogia Plugada

Isso começou a mudar de forma avassaladora, provocando questões insuspeitadas há pouco tempo, abrindo espaços para reposicionamentos sociais.

Assim, temos –ou tínhamos- que humano é o que é natural, que veio com o sujeito através da mãe natureza.

E agora surge o pós-humano, significando o ser que vai surgir a partir de próteses e enxertos e que, de objetos soltos se transformam, ao serem colocados cirurgicamente em humanos –sujeitos-, em pós-humanos.

Fonte: Go Talent

A primeira pergunta que surge é se corremos o risco de nos transformarmos em um novo Frankenstein de Mary Shelley. Longe daqueles primitivismos do romance ficção, nos aproximamos de um Frankenstein cibernético, limpo cirurgicamente. Um humano que, diferentemente do monstro de Shelley que só usava restos de cadáveres roubados em túmulos, usa, não só peças de outros humanos, mas também peças mecânicas inventadas, planejadas e montadas em laboratórios, comparáveis a oficinas mecânicas esterilizadas.

O pós-humano surge a partir do momento em que o humano se integra, se amálgama com o objeto, transformando-se em um terceiro personagem: pós-humano, ou, depois do humano.

O que é este ser, mix de sujeito e objeto?

A pele, o maior órgão do corpo humano, que cobre todos os demais órgãos, criando os limites que compõem o espaço do sujeito, transforma-se em um novo elemento. Transplantes e enxertos de produtos de laboratórios fazem “milagres”, criando um tecido que aglutina as ligações entre diferentes órgãos. Não é mais a pele, é um tecido criado pelos humanos com funções específicas, substituindo o milagre da natureza que nos deu a pele com poros em um novo milagre, fruto das provetas e dos produtos químicos manipulados laboratorialmente, às vezes com vantagens sobre a nossa própria pele natural.

Também aí temos o objeto se integrando, se misturando ao sujeito, criando um terceiro elemento: não mais humano apenas, não mais fruto de um laboratório apenas, mas aquilo que podemos chamar de pós-humano, pois humano não é mais, pela ausência da presença da vida humana nos órgãos que compõem este novo ser híbrido.

Isso nos mostra a finitude e a infinitude dos humanos, nos mostra que, indubitavelmente, o corpo é o habitat do humano, mas as evoluções que aconteceram no espaço físico do humano/natureza não se limita mais a pele, mas se expande para um outro humano, conservando essencialidades do original.

Fonte: Imediata

Isso nos leva ao pós-humano que acrescenta às suas características originais, novas características.

O incrível neste processo é que, se apenas humano o novo ser não é mais, também apenas novo ele não é! Temos o que Umberto Eco denomina de “outro corpo”, ou “outro humano”.

A discussão que resta é saber se a humanização da máquina, destes novos órgãos, nos leva a uma “máquina inteligente”, só possível de existir se ligada a um corpo humano ou se ela poderá existir sem o recurso do humano. Sem o corpo humano, de partes dele, esta máquina, este objeto, não adquirirá estatuto semiótico.

Fonte: Futuro da Tecnologia

E Eco vai mais longe, ao perguntar no quê se transforma a máquina quando vira um mutante, se aproximando, igualando ou superando o humano e seu corpo?

Seria, então, a imortalidade do ser humano ou a existência infinita da máquina? Ou de ambos?

De um lado temos o organismo; de outro o mecanicismo. A junção de ambos, em um terceiro elemento, será o pós-humano que buscam os cientistas?

Fonte: Galileu

As duas partes desapareciam ou ambas resistiriam harmonicamente, transformadas em 1 + 1 que continuaria infinitamente sendo 1+ 1, sem nunca alcançar o resultado 2 ou na nova soma em que 1+1 dá o resultado 3?

Ou seja: o homem/sujeito se desumaniza ou a máquina/objeto se humaniza?

Talvez seja cedo para que respondamos a estas questões, mas, certamente, já é tarde para começarmos a discutir estes novos valores que farão parte das vidas de nossos filhos, netos e bisnetos e o que mais venha por aí. Quem eles serão?

Irá o pós-humano preservar o que prezamos como valores sociais, religiosos, éticos e outros ou o pós-humano acabará com estes valores que não terão espaço dentro do novo ser?

A fusão final será a tão sonhada bio-evolução?

Fonte: Revista Pré Univesp

Ou teremos o Objeto Humano?

Ou o Sujeito Desumano?

São perguntas que ficam a espera de uma resposta. Quem viver, verá!