Paola Ramos
Aug 8, 2017 · 3 min read

FAQ SARAHAH

Bom, não sei quem quer saber, mas aí vão as respostas:

“Qual seu maior arrependimento?”

Bem, eu não tenho grandes arrependimentos, pra falar a verdade. Acho que tudo que nos acontece na vida tem um porquê, e aceitar as consequências das nossas escolhas é bem mais fácil quando a consciência está limpa. Se eu gostaria de ter feito algumas coisas de forma diferente? Claro. Pra começar, eu gostaria de ter continuado minhas aulas de xadrez, quando tinha 9 anos. Gostaria de ter participado da Iniciação Científica na faculdade. Gostaria de não ter trocado de orientador no TCC. Gostaria de ter sido mais honesta com a minha supervisora de Estágio Supervisionado I sobre as minhas dificuldades. Gostaria de nem ter começado meu primeiro namoro; aliás, gostaria de ter dito não a alguns relacionamentos. Gostaria de ter mais assertividade em algumas situações. Gostaria de não ter dito algumas coisas para algumas pessoas. Mas já passou, e minha psicóloga me ensinou que o passado merece respeito, mas deve ficar guardado em um baú… Não é um filme que devemos rever com tanta frequência. Enfim, arrependimento é algo muito forte, é como se você não se perdoasse pelas suas escolhas e erros. E de verdade? Isso dói, sufoca. Ninguém merece. Todo mundo merece perdão, principalmente de si próprio.

“Além do Gui, você já teve outros namorados? Algum foi filho da p*** com você? Sente rancor de algo?”

Eita, vamos por partes.

Sim, antes do Guilherme, eu tive dois namoros oficiais e incontáveis relacionamentos indefinidos.

Se alguém agiu de forma irresponsável comigo? 90% deles, eu diria. Meu primeiro namoro foi muito abusivo, muito opressivo, embora certamente o cara não concordaria com essa opinião. Pra ele, eu era (provavelmente ainda sou) uma vaga***da sem valor, uma manipuladora mentirosa malvada e sem escrúpulos. Pra mim, ele era o único cara que teria estômago pra me aturar, que aos poucos, foi me sufocando, me conduzindo a fazer o que ele queria, me sugando as energias, até eu não aguentar mais e começar a agir como alguém que eu definitivamente não era. É claro que eu não sou santa, cometi muitos erros nesse relacionamento. Admito, mas aprendi com eles e me perdoei por ter errado. Fiquei com consequências sérias desse período. Depois, veio meu segundo namoro. Esse nem foi tão grave, na verdade ele só era meio imaturo mesmo. O problema é que eu já tinha “sequelas”, né. Daí qualquer coisa me deixava instável.

Em seguida, vieram os relacionamentos breves e indefinidos. Nesses, eu me deparei com dezenas de falhas de caráter, comportamentos inadequados e desvios de conduta por parte dos parceiros.

Vivi situações de todo tipo, excluindo unicamente a agressão física.

Pra quem se pergunta: “mas Paola, como você aceitou esses relacionamentos?” Olha, cada um tem o amor que acha que merece. É difícil explicar e entender a menos que você tenha vivenciado coisas do tipo. Eu não tive uma infância muito agradável, sempre fui uma criança atípica, que se cobrava demais. Nunca tive uma imagem muito positiva de mim mesma. Na minha cabeça, eu era uma imbecil ridícula e sem graça. Qualquer migalha de atenção era suficiente e necessária. A gente acaba se submetendo a muita coisa pesada pra, simplesmente, sobreviver com o mínimo de sanidade. Eu, até pouco tempo atrás, não conhecia o respeito e a incondicionalidade.

Não me arrependo, sabe. Foi um aprendizado muito rico. E não guardo rancor, por incrível que pareça.

Acho que se as pessoas erram, elas não erram porque querem. E se erram porque querem, elas são pessoas tão perdidas na vida, que merecem um “julgamento” diferente. Perdoar não é fácil, mas guardar rancor dá muito mais trabalho. Te envenena, te consome, e não resolve o problema.

Não estou posando de evoluída. Eu realmente penso assim. Sério. Bati com a cabeça na parede por muitos anos pra aprender isso. E tem muita pedra pra eu tropeçar ainda.

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