Devaneio sobre o que nos tornamos

Por que o cara ter uma posição de política econômica é uma venda casada? Digo, não entendo a lógica do cara ser neoliberal-mises-fanboy e ter que ser racista, misógino e xenofóbico.

O mesmo se dá quando ao peão apetece uma política welfarestate-intervencionista e por causa disso ele (milagrosamente) está imune à preconceitos, idiossincrasias e percepções de mundo próprias deterministas.

Isso não é uma linha de julgamento, tampouco de percepção de como as coisas atuam, até porque sempre há exceções; mas quando você tenta analisar o plano geral é inevitável o mínimo de generalização.

Talvez como princípio de resposta possa ser usado o fato do neoliberal não querer que o Estado atue como protagonista, e em tese o Estado o fará, já que a Constituição garante uma pancada de direitos fundamentais (o artigo 5º é até bonito de longe). Isso pode cessar apenas a questão da mão endeusada do Estado.

O que não há lógica é a pessoa diante disso, mesmo que sem a mão acolhedora do Estado ser racista, misógino e xenofóbico. Porque quando se prega o liberalismo, há também a questão do indivíduo — de individualizar. Mas qual a lógica desse indivíduo ser babaca?

E por que o cara que conta tanto com o Estado para todas as necessidades sociais parece estar imune de preconceitos e alcança um patamar onde as diferenças são aceitas com naturalidade e não há ódio. Sim, há. Você não é santo. Sem contar que automaticamente ele vira um homem do povo, pai dos pobres e salvador da plebe.

Não sei se é a bagagem de vida que surfa nas teorias, apenas estereótipos, pose ou se tem alguma coisa que deixei passar nas aulas de sociologia e teoria política.

Só pra deixar claro, isso não é um devaneio sobre direita e esquerda, comunismo e capitalismo. É mais um questionamento sobre comportamento, coexistência e pessoas. Essa dualidade no meu ver já está ultrapassada e serve apenas para gerar debates rasos e superficiais. A idéia talvez seja propor a ruptura entre ideias econômicos e sociais, não no sentido teórico da coisa, mas sobre percepção de mundo.

Ps.: Se alguém achar algum valor nisso, se puder comente para me ajudar a entender a lógica, o motivo para isso acontecer — ou enriquecer, ou enfraquecer o argumento levantado.