No prazo

De validade…

Não estava no padrão de beleza, sabia.
Via aquelas banhas, pneus, ‘tetículas’ caídas
De um garoto que aos dezenove não andava, mancava.
Mão nas costas! Dores inóspitas. Juventude falida.
Vê-se no espelho orgulhoso, alisa a panceta (e que panceta).
No caso do bujo ficou peludo na penugem, o peito piloso.
E é só quando chega ao falo, é que para e não fala.

Percebe só depois de um porre, de fumar por tabela,
Seu pulmão não mais respira nem inspira, espirra.
Dores nas costas! Espichou o espichaço.
No reflexo sua barba mal feita, cabelo descortado.
Que escondem uma breve mocidade, que não foi e já passou.
Tosse! Olhos a coçar. Lagrimas de crocodilo inesperada.
Já sabe o que vem e não vai esperar.

Mas quer ser assim, não pensa trocar.
Culpa de seus ídolos. Velhos podres malditos, imorais, amorais
Cultos, confusos de absurdos, que cantam e encantam seu ‘do ré mi fá’
Eles fazem me pensar se quero ser o que será (e o que será?)
Salvar assim meu nome. Que nome? Esquisito. Vocês vão se lembrar.
E com sorte suor e afinco, será desse mundo
Finalmente Banido.

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