O estigma das doenças mentais

Hoje resolvi falar sobre uma temática que ando achando extremamente importante a gente começar a discutir: o estigma que as doenças mentais carregam. 
Vivemos em uma sociedade que não consegue dar a devida importância pra portadores de depressão, transtornos de ansiedade, entre várias outras doenças análogas. Seja por que é difícil para certos grupos simpatizarem com algo que nunca vivenciaram, ou por todo o histórico de tratamento psiquiátrico vivenciado pelo mundo nas décadas passadas. As internações, as clínicas de tratamento forçado, pacientes dopados de remédio, dentre várias outras características que conhecemos bem. Às vezes pra algumas pessoas doenças mentais são sinônimos de “loucura” ou de “frescura”, nada daquilo que elas realmente são: doenças como outras quaisquer e que precisam ser tratadas. 
Dizem que, até o final do século, uma em cada três pessoas terá desenvolvido depressão ou transtorno de ansiedade, o que, sinceramente, faz completo sentido com o estilo de vida que a gente tem levado. Dias corridos e tumultuados, preocupações inúmeras, horas cada vez maiores de trabalho e muito pouco tempo para autoconhecimento e cuidado consigo mesmo. Então, já que estamos todos sujeitos a esse tipo de patologia, por conta das nossas escolhas atuais, por que é tão difícil para muitas pessoas aceitarem essas limitações alheias e as respeitarem como elas devem ser respeitadas?
Acredito que uma das maiores dificuldades de quem passa por doenças mentais é o fato de que elas são extremamente sintomáticas e que os sintomas também, apesar de serem muito próximos, acabam variando muito de pessoa pra pessoa. Pra vocês terem ideia, existem mais de cem sintomas físicos e mentais associados a transtornos de ansiedade. É muita coisa!
Se não estamos preparados emocionalmente para lidar com a possibilidade de que nós, ou pessoas em volta de nós, estão sujeitas a desenvolver esse tipo de patologia, não conseguimos nos guiar ou orientar quem precisa a um processo de cura. 
Acredito eu que o caminho é o mais simples possível. Precisamos começar a falar abertamente sobre essas questões e de forma bastante clara. O que é depressão? Como ela atua? Quais suas causas e quais as formas de tratamento? Quais são os transtornos de ansiedade existentes? Como ajudar pessoas que passam por esses problemas?
Essas são algumas das muitas perguntas que poderíamos estar nos fazendo, já que, o número de pessoas que passam essa problemática tem aumentado cada dia mais. Não ajuda o fato de que alguns médicos não são empáticos o suficiente para conseguirem lidar com esse tipo de paciente, que muitas vezes requer um atendimento profundo e especializado e um cuidado muito maior. 
Muitas vezes o paciente psiquiátrico se sente sozinho por não ter o apoio da família e dos amigos, que não consegue entender o que ele está passando naquele momento. Resolvi então fazer uma listinha de coisas que acredito que qualquer pessoa que esteja passando por essas questões precisa saber. Aí vaí:

  1. Depressão e transtorno de ansiedade tem tratamento!
    Falo muito da depressão e da ansiedade em conjunto pois é comum que as duas apareçam concomitantemente. Quanto mais cedo você conseguir reconhecer os sintomas e se tratar, mais simples fica o tratamento. Acaba que cada tem o seu caminho de encontro com a sua melhora, mas o primeiro passo necessário com toda certeza é procurar um terapeuta que vai te auxiliar e te guiar nesse caminho. O terapeuta vai poder indicar se é necessário tomar medicações psiquiátricas (e procurar um médico psiquiatra indicado para isso) e, no processo terapêutico, te auxiliar a fazer o caminho de volta a saúde mental plena.
  2. É preciso dizer para as pessoas que você não está bem
    Já vi vários exemplos de muitas pessoas que estavam passando imensas dificuldades por conta de depressão e ansiedade mas que se viravam carregando o mundo nas costas sem deixar que as pessoas em volta delas soubessem realmente o que elas estavam passando. Gente, isso não é legal. Isso pode acarretar inclusive uma bola de neve gigantesca na qual você nunca se trata por medo de machucar as pessoas em volta de você ou de não poder estar tão disponível e cuidando tanto delas quanto gostaria. Agora me fala, não é melhor tirar um tempo da sua vida pra se tratar do que ficar sofrendo a vida inteira em segredo? Você não é um mártir e ninguém vai te amar menos se você passar a se amar também.
  3. Se tratar significa passar a cuidar mais de si mesmo
    E isso envolve uma série de mudanças. Significa uma alimentação mais saudável, pratica de esportes, a busca por métodos alternativos como meditação, ioga, acupuntura. Como disse lá em cima, cada um tem seu caminho, mas é preciso tentar! E principalmente, saber que é preciso cuidar de você e se amar muito, acreditar que você merece ser feliz e vai fazer o caminho necessário para isso.
  4. Melhorar leva tempo e muita fé
    E por último gente, melhorar leva tempo e muita fé. Por muitas vezes questionei minha terapeuta sobre quando eu iria estar melhor, já que já vinha há seis meses no processo terapêutico e tinha começado a medicação também. E ela sempre apontou pra mim o fato de que foram muitos os anos que se passaram pra que eu chegasse até esse grau de ansiedade e que levaria algum tempo pra que eu me desenvolvesse no caminho contrário. Ou seja, é preciso ter fé. Desconstruir certos modos de funcionamento que a gente tem leva tempo, mas com certeza vale a pena. Como eu disse lá em cima, é melhor tirar um tempo da sua vida pra se tratar e viver o resto da vida muito bem, do que por medo ou impaciência abandonar o tratamento e continuar vivendo em dor.

E quanto mais aumentarmos nossa voz em relação a isso tudo que passamos, melhor as pessoas vão entender e conviver de forma mais empática com essas questões. Não é vergonha nenhuma ter depressão ou transtorno de ansiedade, quando a gente tem um problema, a gente busca se cuidar e se tratar pra poder ser feliz junto daqueles que amamos. :)

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