para que creiam… e tenham os olhos abertos!

O sexto sinal é a narrativa da cura do cego de nascença. Se encontra ao longo do capítulo 9 do Evangelho de João. A narrativa começa assim:

Ao passar, Jesus viu um cego de nascença. 
[João 9:1]

Normal, não é? Quase o óbvio. O contrário é que não daria pra ser… 
Mas não, não é tão óbvio assim¹…

É verdade. A reação dos vizinhos (9:8–12) depois deixa claro para nós que não é todo mundo que via o cego. Alguns somente passavam por ele, mas nunca se atentavam nele. A continuação do texto nos mostra que mesmo os discípulos de Jesus não viam o cego:

Seus discípulos lhe perguntaram: 
“Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?” [João 9:2]

Os discípulos veem o cego ou um problema teológico? 
Alguém que precisa de ajuda ou uma dúvida que precisa ser sistematizada e respondida?

Para que lado a bailarina está girando?
Nossa vida é mais ou menos assim também. Vemos o que estamos acostumados a ver. 
É como na
ilusão de ótica: na limitação do nosso cérebro, somos enganados, vendo somente uma parte da verdade. Não vemos a realidade como ela é de fato.

E nós? Que tipos de pessoas são “invisíveis” em nossa sociedade? Por que deixamos de vê-las? Estamos prestando atenção em que outras coisas?²

A resposta de Jesus — seja em palavra, seja em ação — nos convida a abrir os nosso olhos. É isso o que acredito que Deus esteja fazendo através desse texto: abrindo não somente os olhos do cego na narrativa, mas os nossos olhos também. A intenção de Jesus é que possamos ver coisas que não víamos antes, de forma que não víamos antes. Olhe o que ele diz:

Disse Jesus: 
“Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele. Enquanto é dia, precisamos realizar a obra daquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar.
Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.
Tendo dito isso, ele cuspiu no chão, misturou terra com saliva e aplicou-a aos olhos do homem. Então lhe disse: 
“Vá lavar-se no tanque de Siloé” ( que significa Enviado ). 
O homem foi, lavou-se e voltou vendo.
[João 9:3–7]

Para o quê, para quem, e de que formas Jesus está abrindo nossos olhos através dessa narrativa?


1. abrindo nossos olhos para o próximo

Jesus pára e o cego. Isso é maravilhoso, porque se ninguém mais realmente tinha reparado no cego, os olhos que viram Abraão (João 8:57–58), os olhos que viram a formação do mundo (João 1:1–3) estão se atentando para o cego, e disposto a se envolver e mudar a realidade dele.

Jesus está nos convidando a também reparar na realidade dos “invisíveis” e desprezados em nossa sociedade, dispostos a nos atentar, a conhecer, a se envolver e a tentar transformá-las.

2. abrindo nossos olhos para quem Deus é (e para quem nós somos!)

Jesus restaura a visão do cego modelando o barro e aplicando sobre a falha na humanidade que aquele homem tem (sua visão).

Modelar o barro é uma alusão direta a narrativa de criação da humanidade, registrada em Gênesis 2:7: “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente”. Todo o contexto em que Jesus faz esse milagre (na festa das cabanas) está cheio de referências a manifestação de Deus no Antigo Testamento: Jesus é a verdadeira luz do mundo, a verdadeira água da vida.

No decorrer do capítulo o homem que foi curado é duramente questionado. Chegam a tentar fazê-lo negar sua cura. Mas ele sabe que foi curado, sabe que foi alvo de um encontro que mudou sua vida para sempre.

E nós? Que diferença o nosso encontro com Jesus gerou em nós? 
Temos conhecido cada vez mais profundamente quem Deus é?
Nossa humanidade está sendo restaurada? Temos convicção disso? 
Outras pessoas são capazes de notar esse processo?

3. abrindo nossos olhos para a realidade da graça e da glória de Deus

Atente novamente para a resposta que Jesus dá a pergunta feita pelos seus discípulos:

“Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele. Enquanto é dia, precisamos realizar a obra daquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar.
Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”

Jesus está dizendo: nem ele nem seus pais pecaram.

Vocês estão fazendo a pergunta errada. A pergunta certa é:

“diante do sofrimento que está aqui, como podemos manifestar a glória de Deus na vida dessa pessoa?”

A luz do mundo está ativa, relevada aos discípulos. Nós somos discípulos, hoje. Fomos enviado ao mundo como sal e luz, da mesma forma como Cristo foi enviado.

Como você tem olhado para as situações de dor e sofrimento?
Você olha para os encontros, desafios e momentos de sua vida como oportunidades de manifestar a obra de Deus na vida das pessoas?

Por André Pereira.

Se você quiser refletir mais sobre esse texto, essa foi uma das mensagens que foram gravadas:

notas:

¹ Devo essa percepção à uma exposição que Ariovaldo Ramos fez certa vez nesse texto.
² Sobre “invisibilidade pública” , veja a palestra: 
Public Invisibility — Fernando Braga at TEDxBeloHorizonte
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