para que creiam… que Cristo é o Deus da Graça

Algum tempo depois, Jesus subiu a Jerusalém para uma festa dos judeus. Há em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, um tanque que, em aramaico, é chamado Betesda, tendo cinco entradas em volta. Ali costumava ficar grande número de pessoas doentes e inválidas: cegos, mancos e paralíticos. Eles esperavam um movimento nas águas. De vez em quando descia um anjo do Senhor e agitava as águas. O primeiro que entrasse no tanque, depois de agitada as águas, era curado de qualquer doença que tivesse. Um dos que estavam ali era paralítico fazia trinta e oito anos. Quando o viu deitado e soube que ele vivia naquele estado durante tanto tempo, Jesus lhe perguntou: “Você quer ser curado? “ Disse o paralítico: “Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim”. Então Jesus lhe disse: “Levante-se! Pegue a sua maca e ande”. Imediatamente o homem ficou curado, pegou a maca e começou a andar. (João 5:1–9)

Eu me lembro de um momento que foi icônico na internet. Este levou o nosso amado narrador global, Galvão Bueno, a produção de mais uma pérola no mundo dos memes. Você se lembra:

Galvão Bueno narra uma vitória acirradíssima protagonizada pelo recordista de medalhas olímpicas de ouro, Michael Phelps em Pequim, 2008. Ao final da competição, Phelps bateu o recorde de maior número de medalhas de ouro em uma só edição das Olimpíadas, conseguindo oito delas.

Os olhos de todos vão para este grande herói olímpico. Mas a pergunta que fica é: você conhece o segundo colocado?

Milorad Čavić representava a Sérvia nesta mesma competição. Sua medalha de prata na competição não brilhou como a de ouro e ele foi esquecido pelos telespectadores que viram os holofotes mirando Phelps. Nas Olimpíadas não tem espaço para segundo lugar. Mesmo com uma diferença ínfima de 0,01 segundos, ele não foi digno de ser lembrado pela sociedade.

No nosso mundo funciona assim: precisamos fazer para merecer.

No último post nós comentamos sobre o que aconteceu na festa das bodas de Caná [leia aqui]. Mais uma vez Jesus está indo para uma festa em Jerusalém. Não sabemos qual exatamente, mas como de costume nestas ocasiões, a cidade estava lotada.

Ele entra pela Porta das Ovelhas onde há uma grande multidão local — não apenas pela ocasião da festa, mas também por causa de um ponto de encontro famoso na cidade. Tem uma grande área aberta, onde o sol castiga os desabrigados, mas ali há um ponto de refúgio: O Tanque de Betesda, que ironicamente quer dizer casa de misericórdia.

Naquele local, uns grandes números de pessoas ficavam assentados a beira deste tanque esperando que a água se movesse. Ocasionalmente, a água do tanque se mexe, e há entre ele a crença que, o primeiro a entrar no tanque quando a água se mexer, será livre de qualquer enfermidade. Ao menor movimento, um borbulho, no meio do taque, dava a largada para uma corrida desesperada na busca pela cura. Os que observavam o movimento pensavam como Galvão: “Vai ganhar, vai perder…”. Era uma loucura.

Mas naquele dia um homem foi escolhido por Cristo para ser um vencedor. Diferente dos atletas, que muito se esforçavam para ter sua medalha. Um homem que estava doente a 38 anos e incapacitado de ir até o tanque teve a fonte da vinda vindo até ele.

Jesus o alcança e não pede a ele uma prova de capacidade, nem de busca encontrar nele algum mérito. Cristo simplesmente diz as palavras que todo homem naquele local queria ouvir: Levanta, toma teu leito e vai embora.

As palavras de Jesus chegam promovendo a cura aquele homem. Este que até então estava incapacitado de se mover para obter a cura, foi curado para obedecer a ordem de Cristo.

Deus é assim. Ele não está esperando que você faça algo pra ser alcançado pela sua graça. Na verdade, Deus nos alcança com graça no meio da nossa desgraça para nos pedir qualquer coisa. Ele não é regido pelo que fazemos, mas pela sua bondade.

No final das contas, em Cristo o ouro pode reluzir nas mãos do segundo lugar.

Por Raphael Delfino