De onde vêm (às vezes) os pesquisadores do audiovisual

Segundo meus pais, sempre fui aficionado (mais do que por brinquedos) por fotos, televisão e revistas desde antes de me alfabetizar, aos 4 anos. Diz minha velha mãe que aprendi a ler sozinho com esta idade, assistindo aos programas da Vila Sésamo que a TV Globo exibia ainda antes de usar a bola platinada de Hans Donner como identidade. Na real, lembro sim do dia em que o Jornal Nacional informou que a emissora teria no dia seguinte uma nova marca. Perguntei ao meu pai: “Vai acabar a Globo?” E ele disse rindo: “Não, vai mudar o símbolo!” E nessa época eu desenhava em sulfite, copiando do jornal, entre outras coisas, as letras do anúncio das lojas Colorado RQ sem nem saber o que significavam. Na manhã do sábado seguinte meu pai meu deu uma cartilha Caminho Suave, e às 6 da tarde já estava na letra P. Uma irmã dele me disse que o lápis estava com ponta gasta, mas eu nem ligava… muito menos queria parar para jantar!

Uma outra irmã dele (que anos depois se tornou revisora de livros e publicidade) tem até hoje guardado um maço de folhas como um gibi e uma HQ nele desenhada. Nos balões, uma série de menções a slogans e textos publicitários da TV, incluindo um homem pedindo uma bebida com uma tal “clubi-soda”. Quando ela me mostrou isso, uma década depois, eu sequer lembrava da existência de tal material, apesar de minha boa memória para os fatos de minha infância. E numa daquelas folhas havia o parecer de uma amiga dela (psicóloga infantil) que atestava, por aquela peça, ter eu a percepção intelectual de uma criança de 7 anos…

Após muita TV, cinema, rádio, jornais, livros e revistas, lembrei da tal história da HQ de infância ao escolher o que prestar no vestibular alguns anos depois. Passei em publicidade na FAAP e na ESPM, na qual me graduei em propaganda em meados dos 90 e fiz pós em gestão de negócios 20 anos depois. Entre ambos, na virada pros 2000 (com o crescimento da Internet) passei de redator e artista gráfico a webdesigner em e-commerce, carreira que exerci por 15 anos em uma grande editora paulistana.

Mas ao mesmo tempo que me rendi ao e-commerce, senti que ter um caminho profissional mais sólido possibilitava a realização de um sonho: o de fundar um selo alternativo para estímulo a atividade cultural, especialmente música, com a qual eu já estava envolvido de forma amadora desde a adolescência. Era momento de me dedicar a isso de forma mais dirigida, e ainda sem a pressão de ter que gerar lucro ao menos de início. Ou seja, a arte pela arte e ponto. E assim se seguiu em paralelo pelos tais 15 anos de carreira na editora.

Com o surgimento das mídias sociais alguns anos depois, as divulgações de bandas e artistas que eu fazia via textos e fotos em webzines e e-mails passaram a incluir vídeos editados de forma caseira mas com uma evolução na qualidade de edição além de investimento em equipamentos melhores.

Isso fez com que, mesmo no e-commerce, eu incorporasse algumas vezes o vídeo para web em minhas atividades, a pedido dos colegas que conheciam as divulgações para os artistas de meu selo.

E o trabalho como artista e divulgador se tornou também cada vez menos amador, se tornando o tal plano B para o dia em que algo mudasse em minha carreira, o que ocorreu em 2015. Quando a crise atual se instalou no país, perdi meu emprego e o trabalho com fotografia e vídeo se tornou principal. Não só pela preferência agora em me dedicar a essas novas frentes (deixando o e-commerce em segundo plano) mas por ter mais demandas de vídeo para web e foto (não só publicitária mas para outras finalidades também).

Enfim, como profissional de audiovisual há vários anos, hoje me deparo com uma realidade tal ao criar conteúdo para um cliente: não há ainda um enfrentamento de fato com o que o mercado apresenta hoje, mas começo a perceber que há uma carência de estudos nesse sentido, especialmente sobre o mercado de conteúdo audiovisual no Brasil.

Quando surgiu recentemente a discussão sobre a limitação de cotas de dados e o possível aumento de custos no uso da Internet pelos usuários no uso pessoal e profissional, alguns clientes e parceiros meus levantaram questões nesse sentido, e os prováveis impactos no sucesso de suas campanhas caso esse limite fosse de fato regulamentado.

Assim, o que antes era uma especulação pessoal sobre o futuro de um mercado em evolução se tornou uma preocupação real dos clientes com os quais hoje trabalho e minha sobre o produto/serviço que ofereço. Acredito, mais que isso, que essa não é uma preocupação pessoal, mas pertinente ao mercado e aos profissionais que assim como eu atuam na geração de conteúdo comercial para mídias sociais no Brasil.

Assim, esta é a minha linha de pesquisa hoje. No decorrer, deixarei aqui minhas dúvidas, inquietações, dilemas e descobrimentos.

Sigam-me os bons!