Mito, história e distorção

A razão de uma forma de arte (ou moda ou estilo) ser perpetuada, idolatrada e retomada nos induz à mesma razão dos feitos dos deuses, heróis e ancestrais serem perpetuados e revividos constantemente. A arte é repleta de elementos que arrebatam a atenção de um público que com ela se identifica, e isso faz com que um artista ou uma obra fiquem como um marco histórico, classificado como um mito. A própria sucessão do tempo lapida essa arte ou a vida do artista de forma que sua história seja deturpada em favor do valor e da necessidade que seu público tem de idolatrar o mito (idealizado) e não a história (real). O público repete, revive e idolatra o que o artista ou a arte representam, não exatamente aquilo que foram concretamente.

A deturpação da arte pelo tempo é perceptível no filme “The Doors”, de Oliver Stone (1991). Apesar do diretor ter afirmado que a fita consiste apenas numa visão pessoal sua sobre o mito da banda The Doors e em especial sobre a figura do vocalista Jim Morrison, o público tomou a história como realidade quase absoluta, realidade esta baseada em depoimentos e informações fragmentadas de diversos contemporâneos de Jim, o que já nos remete à ideia de “quem conta um conto aumenta um ponto”. Neste caso a história, que na geração da época já estava mitificada, agora surge ainda mais distorcida. Mesmo assim, a retomada do mito The Doors, amplificado 2 décadas após a morte de Jim, se concretizou demonstrando que os constantes retornos ao passado da arte e dos modismos poderá até mesmo destruir sua real história, dando a eles significados e atribuições incoerentes e absurdas.

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