Tecnologia, além da palavra em si…

Nesta semana fiz uma análise sobre O Conceito da Tecnologia, de Álvaro Viera Pinto, mais especificamente o trecho do livro em que ele aborda a maneira como a humanidade em geral entende (ou não entendem…) a própria palavra tecnologia ao longo de nossa história, até os dias de hoje. Analisando de início a estrutura simples do vocábulo (o estudo da técnica), entendo enfim tecnologia como o “conhecimento científico que se possui para a transformação de algo e o próprio estudo deste conhecimento”. Mas até aí…

A ideia sobre o significado do que é tecnologia está ao meu ver um pouco perdida no hábito e na banalização de seu próprio uso. Sim, fica a sensação de que quase todo mundo usa o termo e finge saber o que é, mas não pensa se sabe mesmo ou não. Se não finge saber, mesmo assim usa o termo de uma forma superficial e nada crítica ou analítica.

Mas isso não é fruto de uma má intenção ou leviandade. Na verdade a banalização do termo e de seu próprio uso se tornou uma prática comum que, como um mau hábito generalizado, passa a ser tolerado na sociedade porque simplesmente todos os fazem sem a ideia de erro ou inadequação.

Entender o que é tecnologia hoje inclui entender história do conhecimento das técnicas que os povos usam na intenção de evoluir, seu papel no mundo que vivemos hoje e a qual futuro a percepção do que isso é pode nos levar.

Possivelmente a roda, a escrita, a pólvora, as navegações, a imprensa, a telefonia e a bomba atômica ganharam relevância quando a sociedade passou a ter consciência de que aquilo existe de uma tal forma que passa a ser responsável pelo seu destino de algum modo dali pra frente. Só que, passado um tempo, aquilo passa a fazer parte da vida, do mundo, da história de maneira quase invisível. Possivelmente porque o acesso e a disponibilidade a uns e não a outros construa o valor desse ato de reparar na existência de algo. E o acesso geral ou efeito em escala mundial crie a percepção de algo comum, trivial, universal.

Dando nome às coisas: podemos dizer que, enquanto a dita tecnologia (ou os artefatos que ela ou sua evolução trazem, bem como seus efeitos) é privilégio de uns e negado a outros, ela se torna notável e relevante para debate, discussão ou presença na fala corrente. Pela falta, pela cobiça ou pelo simples estranhamento. Mas a partir do momento em que, pelo menos de alguma forma, praticamente todo ser racional vivente tem condição de acesso a ela ou pelo menos sobre alguns dos tais efeitos seus, ela se torna algo tão generalizado e banal como o ar. Tratada ironicamente de uma forma talvez tão irresponsável quanto tratamos hoje nossa atmosfera.

Devemos enfim focar no que é a percepção de tecnologia, de técnica, de know how. Como o homem contemporâneo vê a evolução tecnológica. Como a sente, como lida com ela, como são os processos de hoje e como se projetam ao futuro. Tentar também traduzir ou sintetizar o que pensadores, empresários, governantes, cientistas, religiosos pensam e discutem o que é tecnologia.