Ôôôôô bicha! … e daí?

Ontem, dia 28 de junho, foi comemorado o dia do Orgulho LGBT. A escolha da data é em homenagem a Revolta de Stonewall, podem procurar no Google, juro que eu não tô mentindo.

Ao contrário de qualquer outra data ‘festiva’ como Dia dos Pais, Dia das Mães, Dia do Trabalho, Dia-De-Um-Santo, nem todas as instituições esportivas, que normalmente se manifestam em datas como essas, fizeram algum post para homenagear o dia.

Mineirão ficou iluminado de forma diferente na noite de ontem. (Foto: Divulgação/Mineirão)

Apenas esse parágrafo aí de cima já vale a reflexão. Por que se homenageia e respeita pais, mães, santos, cachorro, periquito, papagaio e não homossexuais, transsexuais, bissexuais e qualquer outra orientação sexual? É impossível analisar o mundo do futebol a parte da sociedade. É claro que é um retrato da sociedade machista e preconceituosa que vivemos.

No Brasil, qualquer que fosse a manifestação de apoio a data comemorada ontem, a maioria das respostas em comentários nas redes sociais eram chorume daqueles doídos de ler. Os argumentos iam de ‘quando será comemorado o dia do orgulho do hétero’ até ‘para com essa viadagem’.

Flamengo usou as redes sociais para demonstrar apoio a causa. (Foto: Divulgação/Flamengo)

A melhor arma pra combater o preconceito é o conhecimento. É preciso falar sobre LGBT no esporte sim, porque eles consomem esse tipo de conteúdo, praticam esportes e, além de tudo, gostam. Você que vai ao estádio não faz ideia de quem é a pessoa que está do seu lado e, de fato, não faz diferença o que essa pessoa é ou deixa de ser. Não adianta ficar emburradinho porque existem pessoas dessas comunidades no esporte de alto nível sim e, no futebol, não é diferente.

Não adianta você bradar aos quatro cantos que não tem preconceito e, na primeira oportunidade, chamar o rival de franga/maria/bambi/qualquer-outra-coisa. O estádio de futebol não é um vale-tudo que você vai pra cometer qualquer tipo de ação. Se você quer fazer parte de uma sociedade melhor, comece mudando por você. E não, não é demonstração de rivalidade usar uma orientação sexual pra ofender e fazer piada. Sim, qualquer piadinha, por mais inofensiva que pareça, incomoda.

Bahia enfrentou o senso comum e também postou mensagem de apoio. (Foto: Divulgação/Bahia)

Quer zoar o rival? Zoa aquela zaga maldita que toma três gols em 20 minutos. Zoa o goleiro que tomou gol de costas. Faz piada com a bandeira subindo de cabeça pra baixo, média de público, derrota, rebaixamento. Olha a quantidade de oportunidade que um simples jogo proporciona pra você tirar um sarro com a cara do seu amigo que torce pra outro time. E fique por aí.

Eu não consigo imaginar o que é andar na rua e ter medo de apanhar simplesmente em função da minha orientação sexual. Imagina deixar de acompanhar uma paixão por gostar de homem ou mulher. Então, todos os dias, é preciso sim tratar do assunto. Seja e encoraje a mudança.

Tudo se resume a uma questão de respeito. E daí se for bicha? É recorrente em filmes a frase “cada um luta uma batalha que você não faz ideia”, então, respeite. A luta pra ‘sair do armário’, pra ter direitos, pra ter espaço, pra ter representatividade já é muito grande. O esporte, assim como é pra maioria das pessoas, pode ser uma válvula de escape pro cotidiano massacrante.

Precisamos evoluir como um todo pra que isso não importe pra maioria das pessoas que acompanham, trabalham, respiram e amam o futebol.