Vaiar Éverton Ribeiro é burrice

No próximo domingo (16), o Cruzeiro enfrentará o Flamengo em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. A torcida já procura fazer sua parte pra lotar o Mineirão e projeções dão conta que 40 mil pessoas estarão no Mineirão, às 16h.

Do lado rubro-negro do embate estará Éverton Ribeiro. O jogador é um dos (senão o maior) expoentes do time cruzeirense que se sagrou bicampeão brasileiro (2013/14) e acertou recentemente sua volta ao Brasil com o clube carioca. Desde já causou impacto no time com seus dribles rápidos, passes certeiros e gols, características que conhecemos bem e que lideraram uma equipe que dominou consecutivamente o “campeonato mais equilibrado do mundo”.

Em janeiro de 2015, rumou para o Oriente Médio por ‎€9 milhões e jogou no Al-Ahli até definir que o Flamengo seria o seu futuro.

Contratado sob desconfiança, camisa 17 se eternizou na história celeste. (Foto: Reprodução Instagram)

Éverton foi símbolo de um time praticamente imbatível. Única equipe campeã brasileira que ganhou de todos os seus adversários no torneio. Equipe que colocou novamente o Cruzeiro na lista dos campeões brasileiros — fato que não acontecia desde 2003 e que certamente incomodava o torcedor. A história escrita pelo camisa 17 cruzeirense é maravilhosa.

Com todo esse passado de 117 jogos, 24 gols, três títulos e duas vezes o melhor do Brasileirão surgiu um debate nas últimas semanas entre os cruzeirenses se a torcida deveria ou não vaiar o jogador.

Certeza que você sabe onde estava quando esse gol aconteceu. (Foto: Daniel Oliveira/Foto Arena/Agência Estado)

Por que vaiar um cara que construiu isso tudo com a camisa do Cruzeiro e, mesmo de fora, continuou acompanhando e respeitando a história do clube? Qual o sentido de denegrir a imagem de um dos maiores nomes recentes só por que agora ele joga em outro clube? Em momento nenhum houve desrespeito, deboche ou qualquer coisa que o colocasse contra a torcida ou o clube.

É normal o desejo da torcida que o grande craque de um passado recente retornasse ao clube. Inclusive, o Cruzeiro buscou contato com o empresário. O clube mineiro se viu na situação inversa de 2015, quando tentava segurar o jogador por uma proposta que fosse boa tanto para o clube, quanto para o jogador. Não aconteceu, os valores não bateram e o negócio não saiu. Um clube melhor estruturado e com condições financeiras acima, fechou o negócio.

Éverton Ribeiro foi apresentado dia há pouco mais de um mês pelo Fla (Foto: Luciano Belford/Estadão Conteúdo)

O negócio não ter acontecido não faz do jogador um mercenário. Ele, como qualquer outra pessoa no mercado de trabalho, busca o que é melhor pra ele. E, no momento, o melhor era o Flamengo. O Cruzeiro não tem condições de fazer nenhuma extravagância financeira, como aponta estudo recente sobre o balanço do clube.

Vaiar o jogador seria pura dor de cotovelo. Seria desrespeitar o que jogador e torcida construíram no período de 2013 a 2015 juntos, se respeitando e sempre pensando no melhor para o Cruzeiro. Seria demonstrar ingratidão e tentar descontar qualquer tipo de culpa em alguém que sempre quis o melhor pro clube.

Caso o resultado não seja favorável, teremos vários possíveis culpados. O momento do Cruzeiro é bom, mas há menos de quinze dias protestos na Toca II davam o tom da conversa entre time e torcida. A diretoria executa muito mal (mais uma vez) o planejamento da temporada e a mais nova aberração é a ‘novela Abila’. Deixe que a diretoria demonstre a ingratidão com quem serviu ao clube, a torcida não pode se rebaixar a esse nível.

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