121016

Veja o alarde

A cegueira está para ficar

Mesmo que matem os mestres

Mesmo tombando os automóveis

Enquadrar-se soa como uma necessidade

Todo mundo tem opinião

Mas quanto desses refletiram sobre tal?

“O indivíduo aquele, é amarelo e branco”

“Então eu por consequência sou verde e azul”

Assim tornamo-nos rótulos e esquecemos do valor de uma identidade própria

Foda-se com seu nacionalismo!

Não sou conivente das causas fascistas

Nem tão pouco dessa artimanha implantada que você aplaudiu

Tudo é caos

As pessoas esqueceram das suas liberdades?

As horas ociosas esquartejam minha mente

Na caretice

O vício virou tendência

E ninguém mais alimenta a capacidade de pesar

“O que vier vale a pena”

Como se houvesse um plano inefável

Nessa cidade tranquila

Chove cocaína nas ruas

E em qualquer lugar que eu ando sinto frio

Vivendo a embriagada falácia

Rastejo todo dia o mesmo espaço

A esmola me cativa

E eu ainda sou criança

Corpos sangrando colorem os jornais

Baleados por dinheiro

Esfaqueados por amor

Deixam de sorrir

Compromissos são posses

E os segredos não devem mais existir

Só existe confiança em si mesmo

Porém esta se diferencia da autoconfiança

O sexo virou tão banal

Limitamos qualquer coisa que nos traga prazer

Para manter a sanidade de um mundo que perdeu a razão

O medo nos consome em silêncio

Eu não ouço mais “bom dia” lá fora

Colapsos nervosos diários

Algumas doses nos fazem pensar

Eu lamento pelas crianças

Eu lamento por você

Por crescer a mercê de idiotas

Por não saber o que é amor

Negar a mim eu não consigo

Quem baterá de frente com os erros se não eu?

Não há possibilidade de me moldar

Que as lágrimas corroam meu rosto

Que eu me desfaça

E vá com o vento.

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