You, lost and lonely… I find myself alone, alone, alone
“Feliz o destino da inocente vestal. Esquecendo o mundo e por ele sendo esquecida. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Toda prece é ouvida, toda graça é alcançada.”
Eu estou perdida e sozinha. Desolada como uma autora da segunda geração romântica -literatura brasileira-, mas sem amor. Sou egoísta demais para ele. Almejei migalhas que considerava ser migalhas de ouro no passado e atualmente estou sem nenhum alimento para minha alma. Não fui determinada em relação ao merecimento dessas migalhas preciosas, dispensei vários alimentos que não poderiam ser tão valorosos em relação aos olhos da sociedade mas que me fariam muito bem,como pessoa,tudo por conta dessa obsessão. Aos poucos fui perdendo agilidades e oportunidades. E aqui estou, sem função nenhuma para o mundo, nem afetiva e muito menos funcional. Tudo que me resta é o mapa para essas migalhas, mas não sou tão ágil para passar por vários caminhos e esse mapa está meio borrado. Não sei como irei lidar com isso, faltam dois meses para a minha grande jornada.Tento melhorar minha agilidade todos os dias, falho miseravelmente e quanto ao mapa, nada posso fazer. Mesmo se encontrar essas migalhas raras, podem ser que não signifiquem muita coisa mais. E tudo que eu fiz, durante todo esse tempo foi em vão. Estresse grátis. Não comprei muitos vestidos impecáveis, não cuidei da minha silhueta loucamente como todas as princesas fazem. Não quis nenhum príncipe ou camponês para o meu castelo, não soube entreter o meu condado, não fui aos bailes ou nos festivais locais. Ninguém realmente se importa comigo mais, não tenho chás de conversas, não tenho acompanhantes em nada, todos têm a famosa função com o mundo e eu me excluo disso. A rainha, pouco sabe da vida e o que sabe, está meio estranho e errado, me ama incondicionalmente mas não me entende. O Rei nada fala, mas muitas vezes olha com desprezo e sei que é por vergonha do que me tornei. Não produzo nada e sugo todas as moedas da realeza. Queria ser a inocente vestal, queria realmente esquecer todo esse camelo nas minha costas, todas as consequências das quais eu preciso lidar. Queria que o mundo me esquecesse de vez, poder sempre ficar invisível, basicamente como estou nas últimas oito semanas, mas não posso. A esperança está maior do que qualquer coisa. Uma borboleta dentro do meu coração grita por socorro. Ela não quer morrer. Não posso querer tirar a minha vida. Não posso matar a borboleta. Não posso me impedir de viver coisas que eu não sei ainda. Todavia eu quero brilhar, mas não quero brilhar sozinha, assim como a vestal, aspiro pureza, quero fazer com que esse brilho reflita em muitas pessoas. E todas possam transcender com isso. E que não haja um julgamento tão cruel como os das vestais que falhavam na vida sem machucar ninguém. Pois todos temos o direito do erro, só não podemos ferir ninguém com ele. Já que toda prece é ouvida, aqui peço por mais uma chance, quero poder exercer uma função no mundo, quero achar essas migalhas de ouro e olhar-las de uma maneira diferente, não com minha ganância mas com serenidade. Quero mais uma chance de não ser a pior princesa do distrito, quero merecer essa graça.
