O formato ideal (e falido) de vida

Para ser feliz você precisa ganhar mais de R$4 mil por mês.

Sem contar dos demais ativos na sua conta, né?

Para ser feliz você precisa se formar na faculdade.

Trancar? Nem pensar. Demonstra que você desistiu. Fraco.

Mudar de carreira? Arriscar tudo? Não. Estabilidade financeira é mais importante.

Que tal empreender? Pode chamar de startup!

Transpareça sempre que está bem, que o trabalho vai bem, que você ganha bem, que seu carro é do ano e que seu café no Starbucks é diário.

Como assim você já tá comendo? Posta foto no Instagram antes.

Celular, só de R$3 mil pra cima por favor. Tire fotos no espelho com ele aliás, com a maçã aparente.

Carro zero, apenas. Do contrário você está infeliz e sua vida é incompleta.

Sempre sorria pra câmera, mesmo destruído por dentro.

Não recuse convites que não queira ir ou com o que você não se identifica, você precisa agradar a todos.

Ah, e não repita a mesma roupa, pelo amor de Deus.

Se mate de trabalhar. Nem que isso custe tudo.

Custe seus relacionamentos, saúde e mente.

Nada que um bom filtro, uma mensagem de luz e uns emojis não consigam esconder.

Trabalhe, gaste, ostente e mostre a todos o quão boa sua vida é.

Não importa se você odeia seu trabalho, se seu casamento é abusivo e suas dívidas no cartão de crédito estão explodindo. Ninguém precisa saber.

Como assim seu apartamento tem só 40 metros quadrados? Como você vive aqui?

Como assim sua faculdade não é pública? Você deve ser burro e incapaz.

Como assim mudar de emprego para ganhar menos?

Como assim você ainda não foi à Disney?

Como assim você diz quando está triste?

Como assim você demonstra suas vulnerabilidades?

Não. Nada disso dá likes no Instagram.

Ah! Falando nisso: sorria, vou fazer um stories.