Patologias Pós-Modernas: Notificatose Sensorial Adquirida (NSA)

Pontinhos vermelhos pelas extensões do paciente são uma evidência sintomática de NSA

Ansiedade incontrolável que resulta na interrupção brusca das atividades correntes, sejam elas quais forem. Calafrios e síndrome de abstinência após curto período de afastamento do agente adictivo. Déficit de atenção e perda de foco constantes. Desligamento temporário da capacidade cognitiva e das habilidades de trato social. Fuga da realidade e confusão mental.

Esses são alguns dos sintomas comuns apresentados por indivíduos acometidos pela crescente e irrefreável epidemia de Notificatose Sensorial Adquirida, ou NSA, quadro no qual o paciente passa a concentrar sua rotina em episódios de notificação recebidas por múltiplos canais, a despeito do que acontece à sua volta.

Pequenos pontos vermelhos podem surgir, de forma intermitente, em extensões do corpo do paciente, como celulares, relógios inteligentes e outros dispositivos ainda desconhecidos. Acredita-se que quanto maior a incidência desses pontos vermelhos maior é a probabilidade do indivíduo entrar em um quadro grave e de surtos mais frequentes da patologia. Em casos mais intensos, deslocamentos oculares desordenados e espasmos musculares incontroláveis com o objetivo de consultar esses dispositivos podem ocorrer.

Apesar da curta história da patologia — o que impede a análise de evidências temporais mais profundas — os profissionais da área de saúde acreditam que a doença é crônica e de difícil tratamento, por apresentar um profundo aspecto comportamental subjacente. Em longo prazo, os mesmos especialistas creem que a patologia é capaz de prejudicar permanentemente as capacidades cognitivas e relacionais da população atingida, assim como afetar recorrentemente a memória de curto prazo, as habilidades motoras e a sensibilidade do paciente.

As verdadeiras causas para a epidemia ainda não são completamente entendidas pela ciência, mas especialistas atribuem sua provável origem à combinação entre a sobrecarga de informação ocasionada pelo avanço e pela multiplicação dos dispositivos tecnológicos com o religamento dos mecanismos de defesa aprimorados evolutivamente em nosso organismo ao longo de milhões de anos de existência.

Tais mecanismos tinham como objetivo preparar os recursos prioritários do ser humano para a ação (fuga, defesa ou ataque) em situações de perigo ou de prazer, por meio de descargas hormonais essenciais disparadas na detecção de indicadores que representavam situações como as descritas.

O que os especialistas ainda não conseguem entender é o por que motivo o nosso corpo continua interpretando como indicação de perigo ou de prazer uma mensagem de “Bom dia faces!” de um colega distante de trabalho ou uma selfie desfocada, ao invés de ignorá-las completamente, como seria esperado de um ser evoluído cognitivamente como o Homo sapiens.

Os tratamentos existentes ainda não foram comprovados e são classificados como experimentais. Silenciar grupos de Whats App, desativar recebimento automático de e-mails e desligar avisos sonoros de notificação de mensagens de texto e redes sociais têm apresentado resultados modestos, mas animadores.

Esse artigo será atualizado quando novas informações sobre a patologia forem sendo descobertas.

Veja também:

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Patologias Pós-Modernas’s story.