Reduzindo redes sociais — um experimento, muitas descobertas e produtividade nas alturas

Quase todas as pessoas que conheço têm múltiplas contas em redes sociais e quase a maioria com quem converso reclama que elas consomem tempo, têm muita bobagem, muita gente caga regra e por aí vai.

Comigo não é diferente e já enchi o saco faz horas. Com o passar do tempo, consegui identificar o que mais me prejudica, que são principalmente Facebook e Twitter. Essas ferramentas, embora cheias de possibilidades de configuração, ferram com meus níveis de ansiedade. São mensagens que não param de chegar, trocentos comentários e polêmicas patéticas, anúncios, convites pra tudo quanto é porcaria, zilhões de links que eu quero ler mas não dou conta… E o que mais me incomoda nos últimos tempos: a falta de noção das pessoas em querer comentar sobre o que elas não manjam. Tu dá “bom dia” e pode apostar que alguém vai tretar com isso.

Já baixei extensão pra apagar o feed do Facebook no computador, já desativei as redes por algum período, já fiquei de tempos em tempos sem acessar, mas nada surte muito efeito. Quero dizer, logo me vejo outra vez tentando usar as redes de uma forma “saudável”. Elas com certeza têm várias utilidades — me conecto com amigos que moram longe, bem longe, então desativá-las está fora de questão. Durante o Carnaval, tentei algo novo: acessar redes sociais apenas aos finais de semana. E está funcionando maravilhosamente bem, tão bem que quero compartilhar os resultados.

Em 2017 estou particularmente ocupada — trabalhos em mais de uma frente, muito estudo, idiomas, cursos online, projetos futuros pra tocar desde já. Nesse contexto, simplesmente não dá pra perder um minuto naquela discussão ridícula sobre quem fez o que ou disse o que que, ultimamente, dominam tanto Facebook quanto Twitter.

Como não uso nenhuma dessas redes para trabalhar (salvo pesquisas raras e específicas em grupos), não há QUALQUER RAZÃO para acessá-las durante a semana. De segunda a sexta, então, agora estou off.

Skype, Linkedin, Medium, Pinterest e Youtube acesso com regularidade por questão de trabalho — todas são ferramentas úteis.

Recentemente consegui reinstalar o Instagram no meu celular (êêêê) e gosto de ver uns bichinhos fofos e umas paisagens bonitas volta e meia. Não me atrapalha.

Sábado e domingo, quando o ritmo de atividades diminui, estou “liberada” para acessar tudo e responder mensagens, dar alô pra amigos, ver uns catioros e por aí vai.

Até o momento estou amando a experiência. E vejo vários benefícios.

1. Não acredito muito em soluções radicais (tipo excluir conta) até porque preciso das redes em vários aspectos, então sentir que estou me “educando” em relação ao uso é algo do qual quase consigo me orgulhar.

2. Consigo ter mais foco durante a semana. Todos os meus pensamentos estão voltados para meus projetos, tanto profissionais como pessoais. Naqueles cinco minutinhos em que poderia estar checando novidades das redes dou uma geral no meu gerenciador de projetos (Todoist) ou limpo os favoritos.

3. Sinto uma melhora gigante em termos de qualidade de vida e maior controle da ansiedade. Aqueles infinitos updates são um veneno para pessoas agitadas (como eu).

4. A gente precisa bem pouco daquela quantidade de informação insana em um mesmo lugar. A sensação de não conseguir ler tudo cria apenas sentimentos ruins.

5. Assim como os conteúdos não me fazem falta, as opiniões das pessoas fazem ainda menos. Sinceramente tô nem aí pro que a maioria das pessoas acha sobre seja lá o que for. Se algo me interessar eu procuro alguma fonte de referência sobre o assunto. Sem falar da atmosfera de negatividade nesses sites — gente brigando, se ofendendo, espalhando histeria.

6. Ficar dias off das redes sociais exercita o poder fundamental de saber dizer NÃO. Uma vez eu pensava “Mas e se fulano mandar uma mensagem?”. Bom, vai esperar. Contatos de trabalho ou amigos próximos têm outras formas de falar comigo, e farão se for o caso. Ninguém vai morrer se ficar uns dias sem resposta.

7. Percebi que, com exceções, as conversas via chat do Facebook são o que eu chamaria em inglês de meaningless. Meio sem significado. Quase banais. A gente faz coisas enquanto tecla com alguém de modo geral. Por isso, vou dar preferência a e-mails e Skype na hora de falar com amigos.

8. Ligado ao que disse aí em cima, não é preciso estar conectado o tempo todo. Isso é uma das coisas que mais me cansa. A tal da disponibilidade forçada. A gente entra online e não dá um minuto vem um te chamar. As pessoas não vão esquecer umas às outras se ficarem um tempo sem se falar no Facebook. Antes da internet o pessoal ficava eras sem se ver e ainda assim todo mundo continuava amigão e se curtindo pacas.

9. Ainda que eu tenha uma quantidade bisonha de tarefas no dia a dia, a carga pesada de trabalho não chega perto do estresse que acomete aquela coisa de ter fulano ou beltrano me cobrando resposta.

10. Se estou quieta não significa que estou mal, pelo contrário, estou fazendo coisas que não quero compartilhar por questões de privacidade. Estou mais preocupada em produzir do que papear ou fazer social, literalmente.

Em alguns dias da semana tive que entrar tanto no Facebook quanto no Twitter justamente por conta de informações especificas que eu precisava. Mas foi coisa de fazer log in e, no máximo dez minutos, adieu. Não li mensagens ou respondi qualquer comentário.

Pretendo manter essa ~ conduta ~ para redes sociais em geral o quanto for possível. Se algum trabalho depender diretamente delas, bom, aí a assiduidade vai ter que aumentar. No entanto, só o fato de postar menos e comentar menos em posts e afins já reduz o número de notificações e meu tempo online, mesmo em finais de semana.

Do jeito que vai então, Facebook vai ser mesmo pra mandar beijinhos pros amigos mais chegados no Inbox, curtir conteúdos relevantes e saber se tem algum evento legal por aí. Da minha parte, só quero postar coisas que eu considere legais, tipo fotos de passeios e viagens porque o povo querido sabe que, se estou explorando um lugarzinho novo, onde quer que seja, estou feliz.

Acho que estou chegando naquela fase legal da vida chamada maturidade e a habilidade em colocar limites tanto em mim como nos outros. Definir meu próprio caminho a partir do que eu julgo importante e não do que alguém acha que é certo.

Tem sido um processo longo e quase cansativo, mas também delicioso.