Sobre o cuidado e o compartilhamento dos nossos sentimentos

Hoje me deparei com esse texto e fiquei pensando sobre essa história de ficar dando explicação sobre o que a gente faz. Do quanto nos expomos e dos riscos que essa megaexposição acaba trazendo, especialmente quando se trata dos nossos sentimentos.

Ultimamente ando com pouquíssima paciência para interação social. Small talk com desconhecidos então… O que é bom, já que reduz as chances de ter que argumentar sobre minhas escolhas de vida. Porque é bem aquela coisa, todo mundo acha que sabe algo de ti e que está te fazendo aquele puta favorzão dando um pitaco. Ninguém pediu nada, mas tá lá o fulano ou a fulana com um conselho.

Só que minha cautela com o compartilhamento de informações sobre meu euzinho agora atinge também a categoria amigos. Pessoas que amo, seres humanos fantásticos, mas que não precisam saber tudo que acontece comigo ou mesmo o que eu penso. O motivo: as pessoas querem ajudar, mas às vezes (muitas) só atrapalham.

Há algum tempo decidi que vou selecionar melhor que tipo de informação (e mesmo opinião) eu compartilho com amigos e amigas. Tenho sorte de ter muitos, sempre os faço por onde passo, mas agora não quero mais ser a pessoa “transparente”, digamos assim, que já tentei ser.

Essa decisão foi motivada por conversas bem ruins, especialmente online (recurso que me resta, visto que a maioria dos meus amigos mora em outras cidades e até países). Daí que, papo vai e vem, na ânsia de querer contar algo sobre mim e dividir um pensamento, recebi opiniões, julgamentos e não raro cagações de regra. Tenho certeza que a intenção foi boa. Pessoas que gostam de mim, que só querem meu bem, que tentam ajudar com um “olhar de fora” etc. Só que não ajudou. Muitas vezes apenas me atingiu de uma forma dolorosa, já que alguns assuntos são delicados e precisam de tato. Pode ser uma bobagem para o outro, mas para mim é importante.

Amigos são legais, são tudo na nossa vida bla bla bla, mas não são psicólogos ou psiquiatras. Não tem formação pra tal. Não sabem como uma palavra errada em um dia errado em um contexto mais errado ainda pode acabar com o ânimo de alguém. Na maioria das vezes eu só queria conversar, me sentir menos sozinha, trocar uma ideia. Eu não queria julgamento, mas muitas vezes foi isso que recebi. Já aconteceu de estar bem e, depois de uma conversa, me sentir deprimida só pelas coisas que ouvi.

Daí agora eu mudei. Eu penso 300 vezes antes de me “abrir” ou contar algo a alguém

“Ah, desabafar faz bem”. Verdade, se eu quiser fazer isso pego uma folha de papel ou abro um documento de Word e escrevo até meus dedos doerem, me der vontade de chorar ou sentir que o assunto esgotou. E escrever sempre me fez bem, tanto que é um recurso que usei em momentos bem trash dessas minhas três décadas e pouco de vida.

“Ah mas é bom ouvir umas verdades”. Olha, primeiro lugar defina verdade, segundo lugar não pedi, terceiro lugar ninguém tem o direito de me magoar, nem que seja pro tal do meu bem.

É claro que tenho amigos pra quem não tenho esse tipo de ressalva, com quem me sinto confortável em expor minhas loucuras e paranoias. Que vão entender sem criticismo. Mas não são todos, e esse aprendizado foi essencial pro meu bem-estar e até para manter amizades. Nem todo mundo está preparado para ouvir, muito menos para ajudar de uma forma que não seja prejudicial.

Se eu sentir que qualquer negócio está pesado e não dou conta sozinha, daí sim, busco ajuda profissional. Caso contrário tô ótima aqui no meu mundinho com meus pensamentos.