As aflições e o suicídio

Patrícia Seripp
Sep 2, 2018 · 3 min read

“Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.” Jó 19.25

O cristão não deve apenas não praticar o mal. Deve ir além disso e praticar o bem como forma de manifestação e comprovação de sua fé cristã. Isso é bastante confrontador em tempos difíceis, onde se suporta afronta, humilhação, desolamento. Os tais “tempos difíceis” surgem de variadas maneiras, mas é certo que surgem para todas as pessoas. Nosso Senhor deixou isso claro em João 16.33 ao afirmar: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” As aflições, o sofrimento da alma, a angústia que parece sem fim são sinal de que estamos bem vivos. E graças a Deus por isso! Sim, sofremos porque há bastante sentimento e fraqueza em nossa humanidade imperfeita e assim podemos reconhecer o quão dependentes do Pai Celestial nós somos. Porém, em meio a aflição, o sofredor pode ser enganado por seus sentimentos e crer que não resta mais esperança. No capítulo 19 do Livro que conta sua história, Jó estava em meio aos seus questionamentos com Deus. Não sabia o motivo de sua vida ter se tornado tão pesada e pôs-se a desabafar, se lamentar e questionar. Ele não se calou nem mesmo diante das acusações de seus companheiros, que não souberam consolá-lo. Talvez sem maldade alguma, mas o fato é que eles o julgaram precipitadamente. O que diriam frente a um sofrimento intenso, inesperado e sem explicação? Se não sabiam o que dizer deveriam ter ficado em silêncio. Em Jó 42. 7–9 Deus manifestou Sua ira contra os três amigos acusadores: “Sucedeu que, acabando o Senhor de falar a Jó aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos, porque não falastes de mim o que era reto, como o meu servo Jó. Tomai, pois, sete bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu não vos trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó. Então foram Elifaz, o temanita, e Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, e fizeram como o Senhor lhes dissera; e o Senhor aceitou a face de Jó.” Deus manifestou-se e a fé e a vida de Jó foram restauradas. Ele não sucumbiu ao sofrimento: antes desabafou suas queixas e permaneceu crendo em seu Redentor, apesar da realidade cruel. Uma importante lição a ser aprendida com Jó é que Deus não tem medo algum de nossos questionamentos e, expondo toda sua alma, Jó não enlouqueceu.

No Brasil, o mês de setembro é de conscientização e prevenção ao suicídio. Estima-se que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio, mas esse dado é impreciso devido a uma série de fatores, inclusive culturais. A coleta de informações sobre esse tipo de mortes não é precisamente fornecida e, portanto, a estimativa deve estar abaixo da realidade. Tem-se noticiado o suicídio de líderes de igrejas e os cristãos precisam preparar-se para tratar a situação. É uma realidade da vida eclesiástica e, se não for tratada abertamente, suicídios continuarão ocorrendo. O Corpo de Cristo deve ser lugar de acolhimento, lugar onde é possível o desabafo, o consolo, o apoio. As mensagens de autocentrismo e todo falso evangelho egocêntrico devem ser eliminados. Que a igreja de Cristo seja lugar de amor real e de vida com abundância. Tomando o que diz Provérbios 16.33: “A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto”, que os cristãos sejam também os portadores de Boas-Novas a todos os desesperançados que estão dentro da igreja. Se o Corpo for curado, levará a cura aos quatro cantos da Terra. Que sejamos os portadores de Boas-Novas que curarão os abatidos.

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