Arte, um caminho de transformação.

Patricia Santos
May 31 · 3 min read

Jovens de Perus ressignificam espaço abandonado no bairro, e criam uma comunidade de acolhimento dos jovens paulistanos.

Foto: Redes sociais Quilombaque.

São Paulo, a maior cidade do país também é uma das mais desiguais. Existem hoje na cidade poucas políticas que abrangem a população marginalizada, segundo estudo realizado pelo (IBGE) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, moradores dos jardins vivem em média 24 anos a mais do que os moradores do Jardim Ângela. A periferia enfrenta situações de calamidade em questões básicas como saúde e educação, mas os próprios moradores têm tentado mudar esse quadro e criado meios para melhorar a realidade, principalmente a dos mais jovens.

Perus, bairro periférico com 80.187 habitantes localizado na zona noroeste de São Paulo, desde 2005, tem tido relativa melhora nas taxas de violência e criminalidade por conta do trabalho realizado na Comunidade Cultural Quilombaque que completou 12 anos em agosto, e tem sido palco de diversas manifestações culturais e espaço aberto para artistas e jovens periféricos. “A Comunidade mudou o bairro e vem gente de todo lugar”, diz Dona Alneiva (50) moradora antiga de Perus.

A ideia de criar um espaço cultural surgiu dos jovens Cleiton, Clébio e Tamara que após participarem do Bloco Caranguejeiras no Parque do Ibirapuera, quiseram levar um bloco para o bairro deles também. Durante cinco anos, a comunidade sobrevivia na garagem dos irmãos Cleber e Clébio Ferreira, mas com o tempo outras pessoas foram se envolvendo e o projeto expandiu.

Em 2007, decidiram então migrar para um galpão ao lado da estação de trem do bairro por ser em frente à uma praça que antes era ponto de encontro dos jovens nos fins de semana. A viela onde residem atualmente era antes um ponto de venda de drogas, acúmulos de lixo e até desova de corpos. Em 2009, mais de cem artistas foram convidados a revitalizar o espaço com centenas de grafites que ressignificam aquela região.

Hoje, o Quilombaque além dos eventos de dança e música, também tem uma vasta programação com workshops e palestras sobre diversos temas da atualidade. Recentemente, a comunidade realizou uma palestra sobre os Direitos Humanos “A gente sabe que os Direitos Humanos embora tenham título de universais, são diferentes num bairro nobre e na periferia” diz Raphael Lauro (18) um dos jovens que frequentam o projeto.

O Quilombaque é uma referência para os coletivos daquela região, a grande característica da comunidade é dar espaço para diversos ritmos e usar da arte para transformar e ensinar jovens. “A nossa maior conquista foi ter invertido o olhar de senso comum social que vê os jovens sem possibilidades como problema, para enxergar os mesmos como potência” diz José Soró programador cultural do projeto.

Segundo a historiadora e professora acadêmica Márcia Cruz, um trabalho como esse resgata a autoestima do jovem e o ensina sobre a história que muitas vezes é mal explicada nas escolas “O povo que é periférico hoje, é assim por um motivo histórico, a resistência e ativismo dos jovens vêm de saberem exatamente o porquê de levarem a vida que levam e que não devem aceitar viver sempre à margem da sociedade”.

Soró diz que o Quilombaque é “a capacidade de articular diferentes e diversas formas de recursos e oferecer atividades dirigidas de modo a fortalecer e fomentar iniciativas locais, priorizando sempre gerar trabalho, renda e perspectiva para a juventude”. No galpão do projeto eles dizem que a comunidade é símbolo de resistência e comemoram cada jovem que ganha uma nova perspectiva de vida, graças às oportunidades que encontrou ali.

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